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domingo, 8 de julho de 2012

Arcadismo X Romantismo


Questão 1

Texto 1

Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marília, nos sentemos
À sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive, nos descobre
A sábia natureza.
(Marília de Dirceu, Lira XIX, 1.ª parte)

Texto 2

Como cheirosa e doce a tarde expira!
Do amor e luz inunda a praia bela!
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela!
(...)
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
(“Tarde de verão”, Lira dos vinte anos)


Vocabulário: palor: palidez

Os dois fragmentos apresentam diferentes concepções de paisagem decorrentes tanto da situação tematizada quanto das tendências estilísticas de época. 


a) Apresente, pelo menos, dois versos de cada fragmento que revelam essas diferentes concepções (ou impressões) da paisagem.

b) Considerando os movimentos literários (ou estilos de época) a que pertencem os fragmentos, discorra sobre essa diferença no tratamento da paisagem.

sábado, 7 de julho de 2012

Poemas de Manoel de Barros e Arnaldo Antunes

Texto I
A doença
     (Manoel de Barros)
Nunca morei longe do meu país.
Entretanto padeço de lonjuras.
Desde criança minha mãe portava essa doença.
Ela que me transmitiu.
Depois meu pai foi trabalhar num lugar que dava
essa doença nas pessoas.
Era um lugar sem nome nem vizinhos.
Diziam que ali era a unha do dedão do pé do fim
do mundo.
A gente crescia sem ter outra casa ao lado.
No lugar só constavam pássaros, árvores, o rio e
os seus peixes.
Havia cavalos sem freios dentro dos matos cheios
de borboletas nas costas.
O resto era só distância.
A distância seria uma coisa vazia que a gente
portava no olho
E que meu pai chamava exílio.

1- A respeito da doença de que trata o título do poema de Manoel de Barros, não é correto afirmar que:
(A)a doença é de natureza conotativa, e está relacionada à sensação de distância experimentada pelo eu-lírico;
(B) a doença é de natureza conotativa, visto que é apenas uma transposição do valor referencial do vocábulo doença para o campo figurado;
(C) a doença é de natureza denotativa, e pode ser localizada no campo dos transtornos mentais;
(D)a doença a que se refere o texto é denominada “lonjuras”;
(E) alguns itens lexicais empregados no texto colaboram para a construção da temática relacionada à doença.

2- O campo semântico relacionado à doença é construído pelo emprego dos seguintes vocábulos:
(A)pessoas, doença, transmitiu, portavam;
(B) padeço, borboletas, exílio, transmitiu;
(C) pessoas, pé, costas, olho;
(D)padeço, doença, transmitiu, portavam;
(E) padeço, doença, transmitiu, constavam.

3 - A respeito da estrutura “ (...) lugar que dava essa doença nas pessoas”, pode-se afirmar que:
(A)a estrutura está de acordo com o padrão culto gramatical, visto que o pronome relativo “que”, que retoma “lugar”, é o sujeito do verbo “dar”;
(B) a estrutura está de acordo com o padrão culto gramatical, já que o verbo “dar” assume o valor de “distribuir” e tem, como objeto direto, a expressão adjetiva “essa doença”;
(C) a estrutura padrão culta correspondente é “lugar em que dava essa doença nas pessoas”, tendo em vista que “essa doença” é complemento do verbo “dar”, que tem valor de “oferecer”;
(D)a estrutura padrão culta correspondente é “lugar o qual dava essa doença nas pessoas”; e “essa doença” é sujeito do verbo “dar”, que tem valor de “acometer”;
(E) a estrutura padrão culta correspondente é “lugar em que dava essa doença nas pessoas”;  “essa doença”  é sujeito do verbo “dar”, que tem valor de “acometer”.


TEXTO II
Fora de si
                  (Arnaldo Antunes)
Eu fico louco
Eu fico fora de si
Eu fica assim
Eu fica fora de mim
Eu fico um pouco
Depois eu saio daqui
Eu vai embora
Eu fico fora de si
Eu fico oco
Eu fica bem assim
Eu fico sem ninguém em mim

4 - Uma leitura do poema de Arnaldo Antunes em que se articulam os níveis da forma e do conteúdo leva-nos à seguinte observação:
(A)o poema apresenta deslocamento e esvaziamento do eu, perspectiva que corresponde, no nível da forma, a uma subversão no uso de recursos gramaticais;
(B) o poema fala da loucura e, por isso, traz, para o nível da forma, a desconstrução sintática e fonológica típica da fala psicótica;
(C) o poema faz ver o quanto a linguagem poética não pode superar os limites impostos pela língua;
(D)o poema traz deslocamentos físicos e existenciais angustiantes, que repercutem numa espécie de linguagem onde a lógica é rompida pela dor;
(E) o poema trata do vazio existencial do homem moderno, o que, no nível da forma, se reflete nas diversas frases esvaziadas de sentido, nas quais só restam a angústia e a dor.

5 - Os recursos gramaticais que colaboram para a expressão do deslocamento/esvaziamento do eu no texto II são os seguintes:
(A)ausência de concordância de pessoa – 1ª e 3ª – nos domínios verbal e pronominal;
(B) ausência de concordância verbal e utilização de pronomes átonos no lugar de tônicos;
(C) adjetivos que expressam loucura e pronomes de 3ª pessoa;
(D)ausência de concordância na 2ª conjugação verbal e uso de pronomes possessivos;
(E) ausência de concordância de pessoa – 1ª e 3ª – e produtividade da ênclise.

6 - Quanto aos procedimentos estilísticos empregados por Arnaldo Antunes em seu poema, pode-se destacar:
(A)repetição de palavras (anáfora), metáforas e personificação;
(B) rimas, exploração expressiva do desvio sintático e redondilhas;
(C) exploração rítmica e redondilhas;
(D)repetição de palavras (anáfora) e rimas;
(E) exploração de imagens em uma estrutura mínima e ausência de ritmo.

7 - A respeito do comportamento sintático-semântico dos diversos usos do verbo ficar no poema “Fora de si”, pode-se afirmar que:
(A)na maioria dos empregos, o verbo ficar funciona como verbo intransitivo com o valor de permanecer, enquanto, no verso 5, atua como verbo de ligação com o valor de tornar-se;
(B) na maioria dos empregos, o verbo ficar funciona como verbo de ligação com o valor de permanecer, enquanto, no verso 5, atua como verbo intransitivo com o valor de tornar-se;
(C) na maioria dos empregos, o verbo ficar funciona como verbo transitivo direto, enquanto, no verso 5, funciona como verbo intransitivo, tendo nos dois casos o valor de permanecer;
(D)na maioria dos empregos, o verbo ficar funciona como verbo transitivo direto, enquanto, no verso 5, atua como verbo intransitivo, tendo nos dois casos o valor de ser;
(E) na maioria dos empregos, o verbo ficar funciona como verbo de ligação com o valor de tornar-se, enquanto, no verso 5, atua como verbo intransitivo com o valor de permanecer.

Num monumento à aspirina X Hino à dor

 TEXTO I

Num monumento à aspirina
(João Cabral de Melo Neto)

Claramente: o mais prático dos sóis,
o sol de um comprimido de aspirina:
de emprego fácil, portátil e barato,
compacto de sol na lápide sucinta.
Principalmente porque, sol artificial,
que nada limita a funcionar de dia,
que a noite não expulsa, cada noite,
sol imune às leis de meteorologia,
a toda hora em que se necessita dele
levanta e vem (sempre um claro dia):
acende, para secar a aniagem da alma,
quará-la, em linhos de um meio-dia.

Convergem: a aparência e os efeitos
da lente do comprimido de aspirina:
o acabamento esmerado desse cristal,
polido a esmeril e repolido a lima,
prefigura o clima onde ele faz viver
e o cartesiano de tudo nesse clima.
De outro lado, porque lente interna,
de uso interno, por detrás da retina,
não serve exclusivamente para o olho
a lente, ou o comprimido de aspirina:
ela reenfoca o corpo inteiro,
o borroso de ao redor, e o reafina.

1 - Sobre o poema de João Cabral de Melo Neto, pode-se afirmar que:
(A)apresenta uma dimensão metalinguística, porque vislumbra em seu objeto-tema os valores que guiam sua escrita – e toda a poética do autor – , como o “acabamento esmerado”, a forma “sucinta” e o pensamento “cartesiano”;
(B) remete diretamente a dois temas centrais da poética do autor: Recife e Sevilha, cidades que encerram valores como a racionalidade e a construção, expressos pela solaridade da “aspirina”;
(C) nega a saúde “artificial” que se conquista através da “aspirina” e, conseqüentemente, combate a idéia de uma poesia baseada apenas na “aparência” – questão central em toda a poética de João Cabral de Melo Neto;
(D)retoma o drama barroco claro/escuro, mantendo-se na tensão entre estes pólos, e a poesia, nesse sentido, assemelha-se à “aspirina”, que, inutilmente, tenta expulsar a “noite” com seu sol “portátil”;
(E) nega a linguagem poética convencional, eloquente e apegada a uma visão cientificista do real, cujo exemplo mais acabado seria a poética de Augusto do Anjos.

2 - Quanto ao título do poema de João Cabral, pode-se afirmar que:
(A)nega o ideal modernista, que buscava valorizar as coisas simples e cotidianas;
(B) constitui uma homenagem à poesia romântica, voltada para a valorização da natureza;
(C) nega os valores da poesia voltada para a natureza, ao propor a imagem de um “sol artificial”;
(D)faz uma crítica à poesia que homenageia seres e coisas sem importância, como a “aspirina”;
(E) desmonta as expectativas de homenagem a seres, coisas e fatos de grande valor histórico e/ou social.

3 - O poema “Num monumento à aspirina” apresenta reiteradamente o sinal de pontuação “dois pontos”. A respeito do uso desse sinal no texto, pode-se afirmar que:
(A) está empregado em desacordo com a escrita padrão por estar reaplicado dentro do mesmo período, o que acarreta um valor antitético;
(B) reaplicado dentro do mesmo período, nos primeiros versos de cada estrofe, traz um efeito de inclusão de idéias e assume certo valor explicativo, ao desdobrar o conteúdo anterior;
(C) não assume qualquer valor explicativo, já que constitui um recurso meramente estilístico, muito recorrente na obra de João Cabral de Melo Neto;
(D) reaplicado dentro do mesmo período, nos primeiros versos de cada estrofe, indica uma enumeração de elementos, introduzindo uma seqüência de metáforas;
(E) reaplicado dentro do mesmo período, nos primeiros versos de cada estrofe, traz um efeito de enumeração de elementos e assume valor conotativo, ao desdobrar o conteúdo anterior.

4. A respeito dos elementos que compõem a estrutura do período que se inicia no 5º verso do poema, pode-se afirmar que:
(A)os pronomes relativos “que” empregados nos versos 6 e 7 referem-se ao “sol” de que trata o poema e exercem o papel de sujeito;
(B) o período é constituído de uma oração explicativa que, por sua vez, contém três orações substantivas encaixadas;
(C) o sujeito dos verbos “levanta” e “vem” (verso 10), que não está explícito, tem por referência o “sol de um comprimido de aspirina”;
(D)os pronomes relativos “que” empregados nos versos 6 e 7 referem-se ao “dia” e exercem o papel de objeto direto;
(E) o sujeito dos verbos “levanta” e “vem” (verso 10) está explícito (“sol artificial”).


TEXTO II

Hino à dor
(Augusto dos Anjos)

Dor, saúde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das glândulas do choro
De onde todas as lágrimas emanam...

És suprema! Os meus átomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corpúsculos mágicos do tato
Prendo a orquestra de chamas que executas...

E, assim, sem convulsão que me alvoroce,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!

5 - Quanto aos termos técnico-científicos usados no poema de Augusto dos Anjos, pode-se afirmar que:
(A)apontam uma visão cientificista da vida e sugerem que a própria poesia – tendo em vista a dolorosa existência humana – pode ser reduzida a um fenômeno biológico;
(B) emprestam ao poema uma perspectiva naturalista que exclui o homem de qualquer dimensão cósmica;
(C) embora sejam tradicionalmente prosaicos, no poema ajudam a exprimir uma totalidade – física, química, biológica – em que a dor se confunde com a existência humana;
(D)demonstram entusiasmo com a explicação cientificista da existência, daí resultando um otimismo que acaba por converter a poesia numa espécie de “ufanismo” eloquente;
(E) sugerem a falência da linguagem científica como explicação única da existência humana.

6 - Uma interpretação da imagem “claridades absolutas”, no último verso do poema de Augusto dos Anjos, leva-nos à seguinte consideração:
(A)surge como prêmio final, ou seja, como uma metáfora da morte;
(B) sugere a estreiteza do universo interior do sujeito poético, em oposição à amplidão da dor;
(C) é uma metáfora que aponta o ideal clássico de poesia, segundo o qual esta resultaria da compreensão racional do universo;
(D)aponta uma espécie de lucidez embutida na própria dor, tendo em vista que esta leva a um entendimento radical da verdade humana;
(E) é uma paródia da poesia soturna do romantismo, sobretudo a da primeira geração.

7 - Quanto à posição de Augusto dos Anjos no quadro histórico da poesia brasileira, é correto afirmar que:
(A)tendo em vista a linguagem original do poeta, sua postura existencial e seu pendor para a dessacralização da poesia, não é possível inseri-lo simplesmente na estética pré-modernista, sendo mais correto entendê-lo como um poeta modernista;
(B) a simples inserção histórica do poeta nos quadros do Parnasianismo ou do Simbolismo parece inadequada, visto que sua procura pelo infinito na matéria e a frustração de não encontrá-lo no que é efêmero empresta à sua poética dimensão mais propriamente romântica;
(C) considerando que sua poesia está voltada para os temas da miséria da carne e da putrefação e que sua linguagem é baseada no materialismo evolucionista, pode-se dizer que o poeta está inteiramente integrado à escola naturalista;
(D)se a postura existencial do poeta o aproxima da frieza parnasiana e do ideal de observação positiva preconizado pelo cientificismo naturalista, o impulso de fundar uma literatura brasileira aproxima-o da literatura pré-modernista;
(E) não basta considerar os temas da miséria da carne e da putrefação e a linguagem baseada no materialismo evolucionista; é preciso ter em conta a poesia amorosa de Augusto dos Anjos, que o situa numa perspectiva romântica.

8 - Ao comparar os poemas de João Cabral de Melo Neto e de Augusto dos Anjos, identifica-se a seguinte semelhança:
(A)linguagem original, vocabulário exótico, rebuscado, científico, que acentua o caráter angustiante do pessimismo cósmico;
(B) linguagem “desmetaforizada”, o que cristaliza o desejo de superação da dor por meio da ciência;
(C) imagens e metáforas em que a própria poesia é questionada como instrumento de superação da dor;
(D)paródia dos ideais parnasianos de distanciamento e descrição objetiva, com conseqüente superação da dor por meio da subjetividade;
(E) vocabulário e imagens que, na tradição literária, de modo geral, são despidos de qualquer valor poético.

9 - Os poemas de João Cabral de Melo Neto e de Augusto do Anjos apresentam imagens ligadas à claridade. Com relação ao uso dessas imagens nos dois textos, analise as afirmativas a seguir:
I. Enquanto o poema de Cabral faz o elogio de uma luz artificial, que vence a dor, o de Augusto dos Anjos faz o elogio de uma luz que emana da própria dor.
II. Enquanto no poema de Cabral a claridade é uma metáfora da natureza humana, no de Augusto dos Anjos ela é material, real.
III. Enquanto no poema de Cabral a claridade é material, real, no de Augusto dos Anjos a luz é uma metáfora da natureza humana.
IV. Enquanto no poema de Cabral a luz está ligada ao fim da dor, no de Augusto dos Anjos a luz está na própria dor.
V. Enquanto o poema de João Cabral fala de uma dor objetiva, concreta, o de Augusto dos Anjos fala de uma dor abstrata, sem qualquer conotação física.

Assinale a alternativa correta:

(A)apenas a afirmativa III está correta;
(B) as afirmativas I, II e IV estão corretas;
(C) apenas as afirmativas I e IV estão corretas;
(D)apenas as afirmativas I e III estão corretas;
(E) apenas as afirmativas II e IV estão corretas.

10 - A respeito do “diálogo” que se estabelece no poema de Augusto dos Anjos, pode-se afirmar que:
(A)o eu-lírico se dirige ao leitor, já que, além do uso de pronomes e verbos na 2ª pessoa do singular, a função exercida pela palavra “dor” no primeiro verso jamais poderia ser a de vocativo;
(B) o eu-lírico se dirige à dor, o que pode ser comprovado pela presença de adjetivo feminino, de pronomes e verbos na 2ª pessoa do singular – procedimentos que não possibilitam atribuir a função de vocativo à palavra “dor” no primeiro verso do poema;
(C) o eu-lírico se dirige à dor, o que pode ser comprovado pela presença de adjetivo feminino, de pronomes e verbos na 2ª pessoa do singular – procedimentos que possibilitam atribuir a função de vocativo à palavra dor no primeiro verso do poema;
(D)o eu-lírico se dirige à própria dor, o que pode ser comprovado pela presença de adjetivo feminino, de pronomes e verbos na 2ª pessoa do plural – procedimentos que possibilitam atribuir a função de vocativo à palavra dor no primeiro verso do poema;
(E) o eu-lírico se dirige à própria dor, o que pode ser comprovado pela presença de adjetivo masculino, de pronomes e verbos na 2ª pessoa do singular.

Fonte: http://alub.com.br/mundoalub/alub_pre/documentos/pdf/PROVA-1D.pdf

Seis ou treze coisas que aprendi sozinho

Texto III, para responder às questões 1 e 2


Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho 

Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por morcegos.
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro.
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos.
Manoel de Barros.



Questão 1
Considerando o texto III, julgue os itens a seguir, assinalando (V) para os verdadeiros e (F) para os falsos. 

0.( ) O poema apresenta uma linguagem, na norma padrão, que é utilizada em diversos gêneros, sobretudo em poemas amorosos, seguindo os padrões poéticos regidos pelas normas. 

1.( ) “Casas começam a morrer” (verso 2), “capins” (verso 3), “pedras” (verso 5), “mendigos” (verso 5),“cachorros” (verso 5), “Terrenos sitiados” (verso 6) explicitam o primeiro verso do poema “Lugar em que há decadência”. 

2.( ) A característica realista mais evidente no poema é a apropriação de cenas comuns, cotidianas, da cultura popular como forma de valorização da identidade nacional. 

3.( ) O último verso do poema ― “as ruínas darão frutos” ― está em sentido conotativo e representa que a 
“decadência”, que aparece no primeiro verso, tende a aumentar. 

4.( ) No verso “Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros”, há uma gradação, pois o termo “Luares” foi empregado com o valor de “decadência”. 


Questão 2
Considerando o texto III, julgue os itens a seguir, assinalando (V) para os verdadeiros e (F) para os falsos. 

0.( ) O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e se conjuga sempre na 3ª pessoa do singular. Por analogia, a mesma regra de concordância se aplica ao verbo existir, como em Existe casas habitadas por morcegos. 

1.( ) A locução verbal “começam a morrer” (verso 2) focaliza o ponto inicial do evento descrito pelo verbo principal. Esse tipo de propriedade é chamada de aspecto verbal. 

2.( ) Embora os verbos entrar e subir sejam considerados tradicionalmente como intransitivos (verbos que não exigem complemento), nos versos 3 e 4, eles se apresentam com um objeto indireto, representado pelo pronome “lhes”. 

3.( ) Certos advérbios costumam ter mobilidade na sentença, podendo aparecer em diversas posições. É o caso do termo “só” (verso 5), cujo deslocamento, como em Só luares encontrarão pedras..., não altera a interpretação do verso. 

4.( ) No verso 5, o emprego de vírgulas entre “pedras”, “mendigos” e “cachorros” seria apropriado, caso se tratasse de um texto que não tivesse um caráter literário. 

Você não entende nada



Leia a letra da música abaixo, de Caetano Veloso, e responda às questões de 01 a 08.

Você não entende nada
Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você está tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo nesse apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suíta eu tomo
Bota a sobremesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você
Tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo

Questão 01

Sobre as ideias do poema, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) O eu lírico utiliza o pronome de tratamento você para dirigir-se ao leitor virtual.

( ) A posição ideológica do eu lírico é a de um inconformado com a vida que leva.

( ) Um dos quereres do eu lírico é que a mulher o acompanhe, que deixem a mesmice do cotidiano.

( ) Da postura do eu lírico frente à vida, é possível inferir que ele não corrobora com alguns valores sociais dominantes.

Assinale a sequência correta.

[A] F, F, V, V

[B] F, V, V, V

[C] V, V, F, V

[D] V, F, F, F

Questão 02

Em Quando eu chego em casa, o uso da primeira pessoa imprime

[A] maior concretude ao que é dito devido ao modo como é dito.

[B] possibilidade de o eu lírico afastar-se da posição de observador.

[C] maior subjetividade, levando o leitor a associar o eu lírico à visão pessoal do poeta.

[D] uma visão otimista da vida cotidiana do casal que vive intensamente um café da manhã.

Questão 03

Em relação aos recursos linguísticos e textuais, assinale a afirmativa correta.

[A] Em lágrimas nos olhos, de cortar cebolas, há presença de linguagem conotativa, própria de letra de música.

[B] O final do texto quebra a expectativa do leitor que acredita na partida do eu lírico sozinho.

[C] A presença do verbo ter, de expressões como tocar fogo e de palavras como curtida evidencia o caráter formal da linguagem utilizada.

[D] O modo de organização textual, como repetição de termos e de estrutura, compõe o efeito de sentido pretendido.

Questão 04

No trecho Você está tão curtida, a palavra curtida foi empregada com sentido de

[A] sofrida.

[B] extasiante.

[C] decepcionada.

[D] desiludida.

Questão 05

No trecho Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento, a repetição da palavra eu constitui

[A] elemento de retomada.

[B] forma de progressão.

[C] recurso enfático.

[D] articulador lógico.

Questão 06

Os versos Bota a sobremesa, eu como, eu como / Eu como, eu como, eu como são organizados por meio de vírgulas para

[A] articular elementos próprios da estrutura da sintaxe oral com ideia de contraste.

[B] separar orações subordinativas, enfatizando-as.

[C] elencar ações recorrentes, com um mesmo plano de importância.

[D] destacar ações passadas pertencentes ao mesmo campo lexical.

Questão 07

Da leitura do texto, é possível construir qual imagem de mulher?

[A] Sonhadora

[B] Esperançosa

[C] Submissa

[D] Conformada

Questão 08

Leia o trecho:

Traz meu café com suíta eu tomo

Bota a sobremesa, eu como, eu como

Eu como, eu como, eu como

Você

Tem que saber que eu quero correr mundo

Sobre a construção desse trecho, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) A ausência de pontuação junto à palavra você contribui para criar um sentido ambíguo.

( ) Um dos sentidos possíveis para a palavra você pode ser considerado vulgar por remeter à mulher.

( ) Os verbos trazer, botar e ter encontram-se no modo indicativo.

( ) A palavra suíta, marca de um dos primeiros adoçantes surgidos no Brasil, significa no texto o próprio produto.

Assinale a sequência correta.

[A] V, V, F, F

[B] F, V, F, V

[C] F, F, V, V

[D] V, F, V, V

domingo, 1 de julho de 2012

Livro sobre Nada


1. (UNEMAT) Leia o poema "As lições de R. Q.", de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva o que se pede.

Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano):
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas. Só a alma atormentada pode trazer para a voz um
formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo [...]

Considerando no contexto das tendências dominantes da poesia de Manoel de Barros, no Livro sobre nada, pode-se afirmar que, neste texto, o "eu-lírico" vê o mundo como:

A) Oportunidade de manisfestar seu desapego, tanto pelo sagrado, como pelo profano.
B) Ânsia de integração em uma sociedade em que o sujeito só é reconhecido pela excentricidade e estranheza.
C) transfiguração do mundo, que corresponde à experiência dos próprios sentidos.
D) Frustração, uma vez que o artista é um derrotado e Deus, uma ameaça.
E) esvaziamento do sentido de Arte, de Natureza e da ausência de sonhos.

2. (UNEMAT) Leia os fragmentos do poeta Manoel de Barros:

Como dizer: eu pendurei um bem-te-vi no sol...
(...)
Retiro semelhanças de pessoas com árvore
                         de pessoas com rãs
                         de pessoas com pedras

I - As imagens poéticas das palavras feitas brinquedos podem ser traduzidas apenas numa possibilidade interpretativa.
II - As imagens comparativas são dadas pelos elementos lógicos do poema.
III - Há um desencadeamento de ilogismo ligado à necessidade de criação poética.

Assinale a alternativa CORRETA: 

A) Todas estão incorretas.
B) Somente I e II estão corretas.
C) Somente I e III estão corretas.
D) Somente III está correta.
E) Todas estão corretas.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Gênero lírico

Gênero lírico

Quando um texto revela o mundo interior do artista, isto é, seus sentimentos, suas emoções, seus desejos; dizemos que esse texto pertence ao gênero lírico. Lirismo, portanto, é a expressão da subjetividade. O "eu" que fala através do texto é conhecido como eu-lírico ou eu-poético. Na Grécia, a lira era o instrumento usado para acompanhar a declamação de poemas. Acreditava-se que o som suave da lira contribuía para a musical idade do texto e para despertar emoções nos ouvintes.
 
Noções poéticos básicos:
O que é poema? O poema é um texto artístico construído em versos que procuram passar as idéias e sentimentos do autor, despertando a musicalidade das palavras. Essa sonoridade vem através de recursos como ritmo, rimas, aliteração, assonância etc. A musicalidade é imprescindível para o poema, o que não ocorre com o texto em prosa, isto é, aquele escrito em parágrafos.

O que é poesia? Esta palavra tem basicamente três significações. Fazer poesia é a arte de fazer versos, é a técnica. Um texto em versos também pode ser chamado de poesia. E poesia pode ser um estado emotivo, isto é, encontramos poesia em tudo que toca nossa alma, despertando emoções e prazer estético, indignação, reflexão ...

Eu-lírico: a voz que fala no poema. Ele também é um entidade literária, criada justamente para desvincular o autor do texto poético do "eu" que nele se manifesta. O eu-lírico é marcado pelas formas verbais flexionadas na primeira pessoa e pronomes pessoais. .

Formas fixas: o SONETO, composição poética de 14 versos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, como bem exemplifica o "Soneto de fidelidade".

Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


O verso: cada linha poética.  

A estrofe: conjunto de versos de um poema.  

 Métrica: contagem das sílabas que compõem o verso, até a última sílaba tônica. Mais conhecidos: (5) pentassílabos (Redondilha menor); (7) heptassílabos (redondilha maior), (10) decassílabos e (12) dodecassílabos (alexandrinos).

            A / mo-/ te / tan / to /, meu / a / mor/ ... não / can / te.
            1     2     3     4     5      6      7    8         9       10

            O   hu / ma / no /   co/ ra / cão/  com/  mais/  ver/ da/ de.
            1           2     3      4    5     6       7     8        9    10


            A rima: é a semelhança de sons entre as palavras que se localizam no fim ou no meio de versos diferentes.


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento


A
B
B
A

"O poema"
Herberto Helder

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
- a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
e a miséria dos minutos,
e a força sustida das coisas,
e a redonda e livre harmonia do mundo.
- Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra o tempo e a carne


sábado, 23 de abril de 2011

Autorretrato

(...) "Um autorretrato é um retrato, uma imagem, que o artista se faz de si mesmo. Muito usado na pintura, na literatura ou na escultura, o autorretrato nem sempre representa a imagem real da pessoa, mas sim como o artista se vê: aceita e assume ou tenta mudar e isso depende de cada pessoa ou mesmo de cada momento". Miguel Pipe


Texto I: O autorretrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...


às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco –
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
QUINTANA, Mário. Apontamentos de História
Sobrenatural, Editora Globo, SP, 1976.


Texto II: fadas e bruxas

Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.
Roseana Murray

Texto III: Autorretrato Salvador Dalí


Texto IV: Autorretrato Salvador Dalí





Produção textual: autorretrato

1. Depois de ler os textos, produza, em versos, seu autorretrato.

Dicas:
- Procure destacar as características que, em você, são mais expressivas.
- Imagine um interlocutor.
- Utilize metáforas, comparações, sinestesias e outras figuras de linguagem para descrevê-lo, a fim de tornar seu texto mais poético.
- Se alguém que não o conhecesse tivesse que identificá-lo no meio de uma multidão o que seria preciso ressaltar?

domingo, 20 de março de 2011

Exercícios literários: O que é poesia?

Depois de refletir sobre os poemas que seguem, produza um texto em prosa, dando sua definição de poesia e manifestando sua opinião acerca da importância de ler/escrever poesia no mundo atual.

I. POÉTICA
1
Que é a Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.

2
Que é o Poeta,
um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.
                                   (Cassiano Ricardo. In: Jeremias sem chorar.)

II.
poesia
não
compra
sapato
mas
como
andar
sem
poesia?
                                   (Emmanuel Marinho. In: Margem de papel)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Poesia-receita

“Receitas de Olhar” é um livro de poesias de Roseana Murray que você deve saborear, sem restrições. Mais do que um livro de poesias, é um livro que nos dá dicas, modo de fazer e os melhores ingredientes, para se viver bem, sem desperdiçar a sensibilidade e a  imaginação.
Mantendo a mesma linguagem e formato das receitas, a poesia-receita sintetiza, de forma clara e objetiva, o olhar sobre as coisas simples da vida.



site da escritora: http://www.roseanamurray.com/

Receita de arrumar gavetas

separe coisa por coisa:
de um lado o pólen do passado
as raízes do que foi importante
os retratos os bilhetes
os horários de chegada
de todos os navios-pirata
os sinos que anunciam
que há um amigo na estrada

do outro lado um espaço vazio
para o que vai acontecer
as surpresas do destino
os desatinos do acaso

Receita de espantar a tristeza

faça um careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua

vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira

depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço
Receita de olhar

nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol
faça do seu olhar imensa caravela
Receita de se olhar no espelho

Se olhe de frente
de lado
de costas
de cabeça para baixo
pinte o espelho de azul dourado vermelho
faça caretas ria sorria
feche os olhos abra os olhos
e se veja sempre surpresa quem é você???

Produção textual: poesia-receita
Escolha uma das poesias-receitas e reescreva a partir do seu olhar. (Receita de Olhar no Espelho,  Receita de espantar tristezas, Receita de arrumar gavetas, Receita de olhar)