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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Linguagem prolixa




Prolixidade

Ser prolixo é utilizar mais palavras do que o necessário para exprimir uma ideia. É alongar-se, é não ir direto ao assunto, é "encher linguiça". Prolixidade é o antônimo de concisão.

Um texto prolixo é, em consequência, um texto enfadonho. Sempre que uma pessoa prolonga em demasia o discurso, os ouvintes tendem a não prestar mais atenção ao que ela está dizendo.

O uso de expressões que só servem para prolongar o discurso, como "por outro lado", "na minha modesta opinião", "eu acho que", tendem a não acrescentar nada à mensagem, tornando o texto prolixo.

Atividade

Millôr Fernandes apropria-se da linguagem  prolixa e reescreve, com muito humor e criatividade, diversos provérbios populares, identifique-os.

1. Aquele que se deixa prender sentimentalmente por criatura destituída de dotes físicos de encanto ou graça acha-a dotada desses mesmos dotes que outros não lhe veem.
Resposta: Quem ama o feio bonito lhe parece

2. Por cada um dos prolongamentos articulados em que terminam pés e mãos do ser humano se estabelece a identidade do ser de tamanho descomunal.

3. Quando o sol está abaixo da linha do horizonte, a totalidade dos animais domésticos da família dos felídeos é de cor mescla entre branco e preto.

4. O traje característico que usa não identifica fundamental a pessoa que, por fanatismo, misticismo ou cálculo, se isola da sociedade, levando vida austera e desligada das coisas mundanas.

5. A criatura canonizada que vive em nosso próprio lar não é capaz de produzir feito extraordinário que vá contra as leis fundamentais da natureza.

5. Aquele que anuncia por palavras tudo o que satisfaz ao seu ego tende a perceber por seus órgãos de audição coisas que não desejaria.

6. O Espírito das Trevas não é tão destituído de encantos e graças físicas quanto se o representa por meio de traços e cores.

7. A substância insípida, inodora e incolor que já se foi não é mais capaz de comunicar movimentos ao engenho de triturar cereais.

8. De unidade de cereal em unidade de cereal, a ave de crista carnuda e asas curtas e largas, da família das galináceas, abarrota a bolsa que existe nessa espécie por uma dilatação do esôfago e na qual os alimentos permanecem algum tempo antes de passarem à moela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Falar bem

Prosopopéia flácida para acalentar bovinos.
(Conversa mole pra boi dormir)

Colóquio sonolento para gado bovino repousar.
(História pra boi dormir)

Romper a face.
(Quebrar a cara)

Creditar o primata.
(Pagar o mico)

Inflar o volume da bolsa escrotal.
(Encher o saco)

Impulsionar a extremidade do membro inferior contra a região glútea de alguém.
(Dar um pé na bunda)

Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo de uma das unidades de acampamento.
(Chutar o pau da barraca)

Deglutir o batráquio.
(Engolir o sapo)

Colocar o prolongamento caudal em meio aos membros inferiores.
(Meter o rabo entre as pernas)

Derrubar com intenções mortais.
(Cair matando)

Aplicar a contravenção do Senhor João, deficiente físico de um dos membros superiores.
(Dar uma de João sem braço)

Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira.
(Nem a pau)

Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.
(Nem que a vaca tussa)

Sequer considerar a utilização de instrumentos metálicos derivados do ferro.
(Nem ferrando)

Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente.
(Chutar o balde)

Retirar o filhote de eqüino da perturbação pluviométrica.
(Tirar o cavalinho da chuva)