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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Jogo da nova ortografia

O jogo é composto de um conjunto de perguntas objetivas, cada uma delas com quatro opções de resposta. Ao final dele, você receberá um feedback sobre seu desempenho no desafio como um todo.



 

domingo, 6 de novembro de 2011

Novo acordo ortográfico

Unicamp 2010

a) Qual é o pressuposto da personagem que defende o acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa? Por que esse pressuposto é inadequado?
b) Explique como esse pressuposto é quebrado.

domingo, 23 de outubro de 2011

Game - nova ortografia

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Reforma ortográfica 2





OS ÚLTIMOS VÔOS

Aconteceu na semana retrasada: o Brasil foi o primeiro país a assinar o acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Pronto desde 1990, o acordo pretende unificar o idioma, para que o português seja adotado como mais uma língua oficial em fóruns internacionais.
O fato de algumas palavras serem grafadas de maneira diferente na Inglaterra e nos Estados Unidos não impede que o inglês seja adotado como língua oficial em fóruns internacionais.
Além do mais, como diria o saudoso ministro Magri, as línguas de Portugal e do Brasil são “inunificáveis”. O jeito de falar dos brasileiros causa espanto aos portugueses. O jeito lusitano de falar nos provoca cócegas. Dois povos que alegam usar o mesmo idioma não podem divergir de maneira tão flagrante na mais essencial das frases: a declaração de amor. Enquanto todos os brasileiros descendem de um “eu te amo”, os portugueses descendem de um “amo-te”.
O acordo ortográfico nem vai fazer um estrago assim tão grande – vão cair os últimos acentos diferenciais e o trema. Quem não ligava para os acentos antes, vai continuar não ligando. Mas todos os que nutrem apreço, consideração, entusiasmo, amor, fetiche ou tara por acentos estão desde já inconsoláveis.
Eu, por exemplo, ainda não me recuperei sequer da reforma ortográfica de 1971. Eu mal tinha alfabetizado, mas morro de saudade de escrever “êles”, “almôço; côco. E os acentos graves – aquelas crases que pulavam do meio das palavras? “Cafèzinhos” tinha acento porque era feito em coador de pano. Quem estava “sòzinho” nunca se sentia completamente sozinho, porque tinha a companhia do acento.
Depois que acabarem com o trema, você vai ver a falta que ele faz. Os portugueses não precisam dele, porque lá todo mundo nasce sabendo se o certo é “questão” ou “qüestão”. Por aqui, a gente vai perder a chance de descobrir de uma vez por todas se o correto é “liquidação” ou “liqüidação”.
Mas nada se compara à tristeza do fim do chapeuzinho de “vôo”. Existe palavrinha mais bem desenhada? Parece mais um ideograma: “vôo” é uma palavra que flutua. Tire o circunflexo, e a palavra se esborracha no chão. Quando os “vôos” virarem “voos”, eu na certa vou passar a ter medo de avião.
Se nos próximos textos aqui desta página você notar um uso excessivo de palavras como vôo, Coréia e cinqüenta, tente entender: estou me despedindo delas. E pior você não sabe. No dia em que Portugal e Cabo verde chegarem a um consenso e a reforma virar lei, vai haver um hiperaquecimento da economia na indústria de dicionários, e o Copom vai ser obrigado a aumentar ainda mais as taxas de juros. (FREIRE, Ricardo. Época, São Paulo: Globo. 1 nov. 2004)

O fim da temida crase

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 1 a 3.


O fim da temida crase

Finalmente estaremos livres da crase. Ela será extirpada, cancelada, deletada, ejetada, expulsa por lei. O que tranqüiliza aqueles que sofrem com a crase pois agora terão o amparo da lei. Porque o deputado João Hermannn  Neto elaborou o projeto de lei 5.154 acabando com a crase, é o que leio na revista Língua Portuguesa, que está no segundo número, mas que eu  não conhecia, deve ter ficado sufocada nas milhares de publicações que assolam as bancas. Claro que Língua fica escondida, para dar lugar a coisas como Caras, que é fundamental a (tem crase aqui?) informação, ao conhecimento, a (tem crase aqui?) sociologia e ao entendimento da mente humana.
O deputado Hermann, preocupado com o bem escrever, decidiu contribuir para a evolução da gramática, começando por extirpar a crase que tantas dores de cabeça dá. O curioso é que a luta contra a crase não partiu da Academia Brasileira de Letras, a (tem crase aqui?) quem caberia a iniciativa, porque se imagina que a ABL entre outras coisas deva cuidar da língua.
Também não partiu dos gramáticos, os homens que normalizam as questões fundamentais, permitindo que o português continue correto, íntegro, bem escrito e bem falado. Nada a ver com Maria Helena de Moura Neves ou com o Evanildo Bechara, que dedicaram suas vidas a (tem crase aqui?) nossa língua. Nem mesmo com o popular Pasquale Cipro.
Achando que eles são incompetentes, transferiu-se a tarefa da mudança gramatical para as (tem crase aqui?) Câmaras Legislativas, conhecidas popularmente como Câmaras do Cambalacho. Sabemos todos que os deputados têm a respeito deles mesmos outra imagem.
Para eles, não existe em nossas Câmaras, sejam municipais, estaduais, federais, o mínimo resquício de ignorância. Não e não! São pessoas doutas, preocupadas com as leis e o cumprimento das leis, desde que sejam os outros que as cumpram, não eles. Quando olhamos os debates, a transmissão das CPIS, os resultados das investigações, as devassas, percebemos que os deputados estão atentos as (crase?) leis, desde que não sejam atingidos por elas.
Assim como não precisam se preocupar com o caixa 2 das campanhas, porque ele continua a existir e é legal. Como não precisam se preocupar em ser honestos, porque jamais serão julgados pelos seus pares. Como sabem que serão absolvidos de tudo, e por todos os que se sentam naquelas cadeiras onde já se sentou gente da melhor estirpe, gente digna e honrada. (...)
Alguns, como Hermann Neto, estão tentando desfazer a língua portuguesa (que é desfeita em plenário todos os dias, todas as horas), começando por esta infâmia que é a crase. Martírio, agonia, tortura, padecimento, dissabor, desespero. A crase que é a principal causadora dos distúrbios que andam por aí: os sem-terra invadindo, os lucros dos bancos, a queda da bolsa, o aumento do preço do álcool, o crescente poderio dos camelôs, o trânsito congestionado, as filas no INSS, o PCC, os seqüestros-relâmpago, o caos do transporte público, a degradação do ensino, o mau atendimento dos convênios médicos. A culpa de tudo?
A existência da crase. Tão mais fácil escrever, pensar, se comunicar sem ela. Sem crase tudo fica mais simples. Dia desses, encontrei na rua um homem que se dirigia as (tem crase?) pessoas falando sem crases. Foi espantoso, mas excelente experiência, todos o entendiam. Quando falamos sem crases, o português fica claro, objetivo. De confusa, complexa, caótica e desordenada basta a vida. Simplifiquemos a linguagem, as normas.
Seria tão bom se outros deputados (apesar de atarefadíssimos, como sabemos — muito ocupados com suas defesas no valerioduto) se dedicassem a outros aspectos gramaticais. Cada um deles, e são 500 e tantos, poderia cuidar de um aspecto. Um faria um projeto contra a polissemia, outro contra as locuções conjuntivas, e teríamos uma verdadeira constituição eliminando morfemas subtrativos (ficando apenas os aditivos), paronímias, determinantes  (e por conseqüência os pré e pós-determinantes), anexos predicativos, apostos (atenção deputados, não confundir com apóstolos), orações transpostas substantivas.
Estudos rigorosos examinariam a questão dos pleonasmos, dos gerúndios, das formas rizotônicas e das metafonias. Viriam em seguida o fim do ponto de exclamação, do ponto-e-vírgula, do parênteses, do trema e da reticência e do hífen. E uma nova língua, que poderá ser denominada de Parlamentar em lugar de Portuguesa, como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil, por nós, pela sociedade, pela moralização de usos e costumes. E se faltou alguma crase neste texto, é que estou escrevendo regido pela lei Hermann Neto.
(Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de São Paulo, 28/04/2006)

1. A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o autor
a) ironiza a proposta do deputado Hermann Neto, que pretende extinguir a crase.
b) defende que a legislação sobre as questões da língua não deve partir dos membros da Academia Brasileira de Letras ou dos gramáticos.
c) confessa que não sabe empregar corretamente a crase, por isso indaga ao leitor sobre a ocorrência ou não da crase.
d) propõe uma ampla reforma na língua portuguesa a fim de simplificar a norma gramatical.
e) condena explicitamente o uso da crase por considerá-la inútil do ponto de vista da comunicação.

2. Considerando seu conhecimento de mundo e as idéias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta.
a) A proposta de eliminação da crase representa um avanço na linguagem, uma vez que já há um excesso de acentos gráficos.
b) Ao atribuir à crase a culpa pelos grandes problemas sociais do país, o cronista pretende desprezar a função exercida pelos deputados.
c) A alusão ao projeto de lei que põe fim à crase serve, meramente, como pretexto para revelar toda a indignação do cronista contra os inúmeros escândalos políticos do país.
d) O advérbio “não”, em “Não e não!” (no quinto parágrafo), é usado de maneira enfática, sem a carga semântica negativa que o caracteriza.
e) Em "Claro que Língua fica escondida, para dar lugar a coisas como Caras" (na introdução), o autor sugere que a sociedade brasileira não valoriza a cultura.

3. Em diversas passagens da crônica. Ignácio de Loyola Brandão pergunta se há ocorrência de crase ou não.
Leia os trechos a seguir e identifique a alternativa em que é obrigatório o uso de acento grave.
a) “… a crase não partiu da Academia Brasileira de Letras, a quem caberia a iniciativa…”
b) “… que dedicaram suas vidas a nossa língua.”
c) “… transferiu-se a tarefa da mudança gramatical para as Câmaras Legislativas.”
d) “… encontrei na rua um homem que se dirigia as pessoas falando sem crases…”
e) “… como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil…”

Fonte: Vestibular Ibmec São Paulo - 2007

Reforma ortográfica





Reforma ortográfica
Cynthia Feitosa
Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.
No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.
Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe.
Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.
No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas seraum poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foram um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordam ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos kraze aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.
No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Os kariokas talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.
No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ? os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.
                Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempre çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogado us eskrito i ate us politiko i u prezidenti olia ço ki maravilia.


E então,  você é a favor da reforma?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Despedida do trema



Despedida do Trema
Estou indo embora. Não há mais lugar pra mim.
Eu sou o trema
Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos!
Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois-pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. Até o Cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?
A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros,  é o K, o W.  "Kkk" pra cá, "www" pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que, aliás, deveria se chamar TÜITER.
Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo
Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas.
E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar.
Nos vemos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.
Adeus,
Trema.
 Lucas Nascimento da Silva
E-mail: lucasns@gmail.com


Entenda a Reforma - Perguntas da Revista Veja
1. Quais as diferenças básicas da ortografia usada no Brasil e em Portugal?
2. Quantos e quais países falam português?
3. A unificação pode trazer benefícios para a economia dos países que falam português?
4. Por que é preciso padronizar o português?
5. O que é necessário para que ocorram mudanças na língua portuguesa?
6. Quais foram as reformas na língua portuguesa anteriormente?
7. O que elas mudaram de essencial na ortografia?
8. O acordo para unificação foi proposto em 1990. Por que só foi aprovado agora?
9. As mudanças serão apenas gráficas ou vão alterar a pronúncia?