domingo, 2 de janeiro de 2011

Experiências de liberação da linguagem e do pensamento

Experiência de liberação da linguagem e do pensamento

         O primeiro passo para produzirmos um texto que realmente expresse nossa linguagem, nosso pensamento, nossa imaginação criadora, deve ser no sentido de liberá-los de toda a sorte de condicionamentos que os tornam padronizados e mecânicos.

1. Escrita automática: escreva  livremente, de um modo solto e despreocupado, para tudo que vier à cabeça sem parar de ler, sem parar para raciocinar, sem analisar, escrever livremente, do modo mais solto possível, deixando o pensamento e a linguagem e as mãos e o corpo completamente à vontade. - o que vier à cabeça irá para o papel.
Obs.: Se aparecer algum bloqueio, alguma censura, deve ir também para o papel.

2. Associação Livre: associe livremente palavras a outras palavras que vão sendo propostas; de modo livre, sem nenhum  raciocínio, imediatamente. Você escreve a primeira palavras que vier à sua cabeça. Não se preocupe com relações lógicas, não pare para pensar; assim, escreva o mais rápido possível a primeira palavra que lhe vier em relação a

bicho          papel          corpo          fruto      sangue        pedra                  asa             noite           espelho       mar

3. Fluxo verbal: associe palavras fazendo a relação a partir de algum aspecto proposto. Há muitas variantes possíveis.

a) Escreva o maior número de palavras que comecem com a letra dada:   
P        R       T        M       S

b) Escreva palavras que tenham sonoridade semelhante a:
         porto           rua              mato          

c) Escreva palavras que tenham significados semelhantes às palavras sugeridas (não há necessidade de sinônimos, basta que haja semelhança de algum modo):
         corpo           amor           natureza               cidade        trabalho

4. Criação de texto a partir de palavras geradoras: você vai criar um texto, como você quiser, de modo que as palavras abaixo apareçam, na sequência que você quiser.
a)
         Manhã               mão            fábrica                  terra            liberdade
         Nuvem              faca            noite                     pássaro

b)
         sangue                 sapo           grito           maçã           tempestade
         noite                    coração       chapéu        mel

c) a partir de textos, escolha algumas palavras e, em seguida, crie um texto em que elas apareçam.

d) a partir de um texto, escolha uma frase ou mais frases. Em seguida, crie o seu texto, incluindo as frases em algum momento do trabalho.

e) a partir de alguns estímulos visuais – quadro, desenho, escultura, paisagem de janela, etc.

f) a partir de uma música que mexa com você, escolha uma série de palavras e escreva um texto livre.
 
g) a partir das letras do alfabeto, exceto K, W eY.

5. Criação a partir de suas palavras: escreva dez palavras  fundamentais da sua realidade, dez que signifiquem muito para sua vida, que falem muito de você.
         Agora associe cada palavra a outras.
         Em seguida tente fazer um texto livre, que contenham algumas das palavras que você escreveu primeiro e outras das palavras associadas.

6. Criação a partir das palavras do outro: para você realizar essa experiência de modo inteiro, mais fundo, tente se colocar mesmo no lugar do outro, identificar-se com ele, sentir como ele se sente, vivenciar a realidade dele.
         Escolha uma das propostas:
         Um motorista de caminhão
         Um operário de grande indústria
         Um palhaço de circo
         Um jardineiro
         Um jogador de futebol

         Escreva dez palavras fundamentais da vida dessas pessoas. Utilize pelo menos cinco dessas palavras e tente fazer um texto em que uma dessas pessoas fale dela, da sua vida, da sua realidade.

7. Função emotiva da Linguagem:
         Leia alguns fragmentos de textos:

“Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.”
                                      Cecília Meireles

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
                                      Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

“Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido –
que se esfacelou na asa do avião.”
Carlos Drummond de Andrade

Os Dois Lados
Deste lado tem meu corpo
Tem o sonho
Tem a minha namorada na janela
(...)
Do outro lado tem outras vidas vivendo a minha vida
Tem pensamentos sérios me esperando na sala de visitas
(...)
                                      Murilo Mendes

“Só uma palavra me devora:
Aquela que meu coração não diz”

Agora fale de você, de sua vida. Tente criar um texto que seja seu retrato vivo e verdadeiro.

8. Enumeração: enumerar é fazer uma lista, uma série, uma sequência de elementos. O texto fica ao mesmo tempo contínuo e descontínuo: cada elemento tem vida própria, e simultaneamente, se relaciona com todos os outros.
Veja:
“O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta“.
                            Gregório de Mato

“O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.'

         Escreva um texto enumerativo a partir de um dos temas a seguir:
        
 Algumas felicidades
         Aqui e agora
         Da janela do ônibus
         Centro da cidade
         Retrospectiva do ano que se está vivendo.
 “Amamos o que não conhecemos, o já perdido.” (Borges)
        
                                     
9. Me dá o mote: a partir de “motes” você vai escrevendo o que lhe vier à cabeça, em ritmo de escrita automática.

Exemplos de mote:
         “Quando guri, eu tinha que me calar à mesa: só
         as pessoas grandes falavam.”

         “Melhor pensar apenas imagens...”

         “Gaiolas de passarinhos vazias...”

         “Noite alta, um bêbado passa cantando.”

         “Entre a minha casa e a tua, há uma porta de estrelas...”

         “Havia um tempo de cadeiras na calçada.”

         “Viajar é mudar o cenário da solidão.”

         “Dias sem pássaros, noites sem estrelas.”

         “Atenção! O luar está filmando...”
                                                                           Mário Quintana

(Exercícios retirados do livro “Redação: escrever é desvendar o mundo” de Severino Antônio M. Barbosa)

Conto 1

O Conto

O conto é um texto curto que pertence ao grupo dos gêneros narrativos ficcionais. Caracteriza-se por se condensado, isto é, por apresentar poucas personagens, poucas ações e tempo e espaço reduzidos.
Nos gêneros narrativos, a sequência de fatos que mantêm entre si uma relação de causa e efeito constitui o enredo. O enredo do conto tradicional estrutura-se com base nas seguintes partes:
Introdução (ou apresentação): geralmente coincide com o começo da história; é o momento em que o narrador apresenta os fatos iniciais, as personagens e, às vezes, o tempo e o espaço.
Complicação (ou desenvolvimento): é a parte do enredo em que é desenvolvido o conflito, isto é, qualquer elemento da história que se opõe a outro, criando um tensão que organiza os fatos narrados e, consequentemente, prende a atenção do leitor ou do ouvinte.
Clímax: é o momento culminante da história, ou seja, aquele de maior tensão, no qual o conflito atinge o seu ponto máximo.
Desfecho (ou conclusão): é a solução do conflito, que pode ser surpreendente, trágica, cômica, etc., e corresponde ao  final da história.

Produção Textual: conto

Apresentamos a seguir o início de três contos de escritores brasileiros. Escolha um deles e dê continuidade à narrativa.
       
“O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas paginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contra gosto”. 
(Heloisa Seixas. Contos Mínimos. Rio de Janeiro: Record, 2001. P. 43)
“- Até que enfim chegou a minha vez, Camila.
Tatá reclamou com razão. Quase todo mundo já tinha respondido as perguntas do caderno da Camila. Ele esperou , esperou, esperou com paciência, com calma, com o canto dos olhos, com uma vontade doida de pegar aquele caderno espiral de capa ensebada de tanto passar de mão. Às vezes ficava com ligeira impressão de que Camila sabia dessa sua ansiedade – e, pior, sabia do motivo da ansiedade – e por isso negava silenciosamente o direito de Tatá registrar suas respostas no caderno dela.
-Até que enfim...”
(Edson Gabriel Garcia. Contos de amor novo. 3 ed. São Paulo: Atual, 1999. P. 50)
“Esse barulho todo é o Nilo chegando, jogou os livros e cadernos no sofá e gritou para a mãe que queria comer.
- Como se eu não soubesse! - Disse ela - Mas primeiro, ó: - e apontou para os livros no sofá - e depois ó: lavar as mãos.
- É para já! - Ele disse. Pegou os livros, levou-os para o quarto e voltou correndo. E enquanto enxugava as mãos se olhando no espelho gritou para a cozinha: - Mãe! Eu tenho uma novidade...”
(José J. Veiga. Torvelinho dia e noite. São Paulo: Difel, 1985. P. 11.)

“Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa que cruzasse com ele ver seu rosto. No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas. Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.
Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou:
- Siga-me! ...”
(Sérgio Porto)
“Noite escura no mato. Estrada de terra sem vivalma. O vento gemendo pelos galhos e as nuvens passando nervosas, querendo chover.
Um homem vem vindo lá longe. Devagarinho. Sem lua nem estrela para iluminar a viagem.
Vem de sacola pendurada no ombro e, na mão, um pau de matar cobra.
Trovoada. Os pingos da chuva principiam a cair. O viajante aperta o passo. Na curva, dá com uma casa abandonada. Cai um raio de despedaçar árvore. A chuva aperta. Na porta da tapera tem uma cruz desenhada. O homem não quer saber de nada. Mete o pé na porta e entra.” (...)
(Ricardo Azevedo)

Circuito fechado


(...)                                       
“O texto em análise usa de técnicas cinematográficas que desenvolvem meios de comunicação sofisticados integrando linguagens, ritmos e caminhos diferentes de acesso ao conhecimento.
“Circuito Fechado” proporciona o uso desta técnica, porque possui na sua forma e conteúdo o objetivo de libertar o olhar das imagens rotineiras e textos apresentados comumente de forma linear. O deslocamento do olhar e a desconstrução da linearidade da forma têm como objetivo a busca de uma nova maneira de olhar para que se instaure a consciência e o conhecimento do eu, individual e coletivo”.
(...)
Leia mais: http://interacao.unis.edu.br/download/r3_art7.pdf
Circuito fechado
Ricardo Ramos

     Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.


Produção textual: circuito fechado

Pense em todas as imagens que você pode relacionar com a sua rotina e faça como Ricardo Ramos em “Circuito Fechado”. Escolha um universo de palavras que faça parte de sua vida e construa um texto enigmático a respeito das suas ações cotidianas. Procure relacionar as ações em uma ordem cronológica e seja bastante observador nas colocações.

Fluxo de consciência

Fluxo de Consciência
Fluxo de consciência é uma técnica literária introduzida por James Joyce, em que o monólogo interior de um ou mais personagens é transcrito. Nesta técnica, a narrativa apresenta-se como um fluxo de consciência que intercepta presente e passado, quebrando os limites espaço-temporais. No fluxo de consciência há uma quebra da narrativa linear, onde já não é tão claro distinguir entre as lembranças da personagem e a situação presentemente narrada.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Leia o conto de Clarice Lispector:

O primeiro Beijo
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
– Sim, já beijei antes uma mulher.
– Quem era ela? – perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.
Produção textual
Escolha uma das palavras sugeridas abaixo e elabore um texto usando a técnica fluxo de consciência. Parta de uma cena real, na qual, a palavra sugerida seja a desencadeadora  do fluxo, fazendo emergir  lembranças, sensações, sentimentos e pensamentos do eu até então escondidos.
sapo - boneca velha - foto antiga - espelho - beijo de novela - sirene de ambulância - vento nos cabelos - tempestade - chocolate com pimenta - pisar em folhas secas - sapatos molhados - grito

sábado, 1 de janeiro de 2011

Artigo de Opinião

Artigo de Opinião


O artigo de opinião é um texto jornalístico, em prosa, que apresenta o ponto de vista do autor ou autores a respeito de determinado assunto considerado de interesse no momento. Quem escreve um artigo é chamado de articulista. É um texto de caráter dissertativo-argumentativo. São características desse gênero:


· Expressam posições de seus autores/articulistas, que são responsáveis pelas idéias apresentadas. São assinados.


· Pode estruturar-se de diversas formas. O mais comum é compor-se de três partes:
* Primeira parte: apresenta-se o tema, de forma sucinta, fazendo um histórico se for o caso. Pode-se também, apresentar nessa parte, uma tomada de posição diante do tema, ou seja, a formulação de uma tese.
* Segunda parte: apresentam-se os argumentos e contra-argumentos necessários para justificar a posição defendida.
* Terceira parte ou encerramento: reafirma-se ou apresenta-se de modo condensado o ponto-de-vista defendido no artigo.


· O articulista adota estratégias discursivas para convencer o leitor: acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações, as digressões, as apelações à sensibilidade, a retenção de recursos descritivos – detalhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes de informações.


· Progressão temática: é comum utilizar-se do esquema de “temas derivados”, em que o assunto é subdividido em tópicos, apresentando-se, em cada argumento “um tópico com seus respectivos comentários”.


· Predominam as orações enunciativas ou declarativas que afirmam ou negam algo. Aparecem também:
*Orações dubitativas: expressam dúvidas – com a função de relativizar determinados aspectos do assunto;
*Orações exortativas: expressam ordem/ pedido/ conselho – com a função de convencer o leitor a aceitar os argumentos apresentados;
*Orações exclamativas ou interrogativas – podem aparecer como recursos de persuasão, para enfatizar determinadas idéias ( Ex.: “Pode-se dizer que uma atitude como essa seja justificável?” ou “Trata-se de uma atitude injustificável!”).


· Busca-se uma linguagem objetiva, de preferência com frases curtas, entretanto em função da argumentação aparecem com freqüência frases complexas, com a presença de elementos articuladores como conjunções e preposições, chamados de operadores argumentativos.


· Embora possa ser escrito em 3ª pessoa, geralmente apresenta-se em 1ª pessoa do singular ou do plural que revelam subjetividade, o caráter de pessoalidade próprio desse gênero.


· A pontuação varia em função do estilo mais expressivo ou menos expressivo. São mais comuns os sinais predominantes em textos formais: ponto, vírgula, dois pontos, ponto e vírgula.


· Podem ser feitas citações de falas de outros autores ou personalidades (polifonia = outras vozes), as quais vêm, geralmente entre aspas.


No livro didático do 8º ano – Linguagens no Século XXI – a 6ª unidade estudada em Produção de Texto, apresenta o estudo do texto argumentativo com propriedade

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Leia o artigo a seguir:

11 de Junho de 2010


Carros, por Tiago Luis Pereira*
Pego carona nas palavras do arquiteto Jorge Wilheim, um dos palestrantes do 1º Fórum de Planejamento Urbano de Joinville, para falar de assunto polêmico e que diz respeito a um dos itens de consumo mais adorados pelos brasileiros: o automóvel. Em resposta às inúmeras reclamações sobre o já caótico trânsito joinvilense, Wilheim, responsável pela elaboração do primeiro Plano Diretor da cidade, em 1965, dispara: “Ninguém é contra o automóvel próprio, sempre é contra o automóvel do outro. É sempre o outro que atrapalha o trânsito”. Lúcidas palavras.
Todos sabem de cor as vantagens de ter um automóvel, de modo que a invenção milagrosa propagada aos milhares por Henry Ford no início do século passado não precisa que ninguém advogue em sua defesa. Ao contrário, em tempos de congestionamentos constantes e aumento desenfreado da frota, talvez o carro precise é de pessoas que apontem suas desvantagens. Pois – não nos enganemos – não há solução governamental capaz de resolver, a médio prazo, o problema de mobilidade em cidades como Joinville. Ou a população se convence de uma vez por todas que é mais vantajoso deixar o carro em casa em certas ocasiões ou a bagunça vai ficar cada vez pior.
Só para se ter uma ideia, a frota de automóveis em Joinville vem crescendo na média de 8,1% ao ano. Índice maior do que a registrada nacionalmente. Nos primeiros quatro meses deste ano, mais 6.400 carros foram às ruas na cidade. E como a física segue fazendo valer sua lei (não se pode colocar mais de um corpo num mesmo espaço), as filas vão se multiplicando. Congestionamentos que já se registravam há algum tempo nas avenidas centrais agora migram para vias mais afastadas, como Albano Schmidt e Helmut Fallgatter, no Boa vista. E, como não poderia deixar de ser, o aborrecimento também vai se enfileirando.
Grandes mudanças sociais só são possíveis (se é que são possíveis) quando dois fatores entram em jogo: medidas administrativas (ação do Estado) e conscientização por parte da comunidade. Se essa via de mão dupla não existir, não há santo que dê jeito. No caso dos nossos problemas de trânsito, obras que desafogariam o tráfego são sempre mais demoradas do que nossa paciência pode suportar. E caras, também. Sendo assim, precisamos conviver com a ideia de que diminuir o uso do automóvel, na medida do possível, é uma atitude plausível e eficaz. Será que isso é pedir demais?
Ainda me espanta o fascínio que as quatro rodas exercem sobre a maioria dos jovens. Aprender a dirigir é quase uma obrigação, um rito de passagem da adolescência para a fase adulta. Sofro horrores por não saber sequer quantas marchas tem um carro. Sofro com os sarros, só isso. Nunca fiquei sem chegar onde quis por não saber dirigir. Apelo para caronas sem o menor pudor. Ônibus me animam a pensar na vida e não sinto náuseas ao ler em movimento. Sem contar a bicicleta, que me leva ao trabalho de modo barato, rápido e saudável nos dias de sol.
Por esses motivos, me é fácil defender que as pessoas devam usar o automóvel o mínimo possível, em prol de uma convivência urbana mais calma e menos acinzentada. Digamos que ainda não senti o gostinho do conforto. Mas duvido que sucumbiria ao comodismo e abandonaria a bicicleta se tivesse um automóvel à disposição. No entanto, sei também que para muita gente carro é ferramenta simplesmente fundamental. Com esses, não me meto. Fiquemos, então, com a parcela daqueles que podem, com algum esforço, superar o comodismo e botar as articulações das pernas para funcionar. Se esses fizerem sua parte, a coisa vai ficar menos feia.
*Músico e jornalista


PROJETO: TRÂNSITO CONSCIENTE

TEMA:
Quando o assunto é trânsito.


OBJETIVO GERAL:
Construir atitudes que no futuro contribuirão para formamos motoristas mais conscientes, a partir de vídeos, palestras, debates, leituras e produção de textos.

JUSTIFICATIVA:
O “Projeto Trânsito Consciente” busca “contribuir efetivamente na preservação, na redução dos acidentes e auxiliar na conscientização e conhecimento quanto à proteção da vida, para a paz no cotidiano dos espaços rurais e urbanos. Também tem como meta levar ao entendimento dos educandos, a importância e a relevante prática que se faz necessária no bom relacionamento de todos os cidadãos, que fazem parte do trânsito, bem como a devida e indispensável atenção e respeito, para que haja a harmonia tão almejada, os bons hábitos e as atitudes adequadas.” (Bogue et al., 2008)

METODOLOGIA:
· Leitura de textos e debates sobre o tema “Trânsito em Joinville”;
· Apresentação do gênero artigo de opinião;
· Palestra sobre Planejamento Urbano;
· Elaboração do artigo de opinião: “Trânsito em Joinville”;
· Exposição de trabalhos na Feira do Trânsito;
· Avaliação do projeto pelo grupo.

PÚBLICO ALVO:
Alunos dos 2os e 3os anos do Ensino Médio da E.E.B. Giovani Pasqualini Faraco.

PERÍODO:
De Junho a Setembro de 2010.

PROFESSORA ORIENTADORA:
Lisandre Mara Klitzke – Língua Portuguesa e Literatura


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poema-código



Atividade
1. Interprete o poema, utilizando o código adotado pelo poeta.
2. Sugira outros nomes paras as figuras, a fim de compor outras ideias.
3. Crie um poema-código.

As quatro gares - releitura



Produção Textual

    Faça uma releitura do poema de Oswald de Andrade.
Sugestões:
1 - Paixão nacional: futebol - mulheres - carnaval
2 - As quatro estações : outono - inverno - primavera - verão
3 - Os sete pecados capitais: avareza - inveja - ira - preguiça - gula - luxúria - vaidade
4 - Fases do amor: namoro - noivado - casamento (divórcio)
5 - Fases da lua: nova - cheia - minguante - crescente

Siga algumas das características do Modernismo 1a fase:
- Liberdade de expressão;
- Incorporação do cotidiano;
- linguagem coloquial;
- inovações técnicas: verso livre; destruição de nexos; paronomásia; enumeração caótica; colagem e montagem cinematográfica; liberdade no uso de sinais de pontuação.

Resenhas críticas

Fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem.
O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (um jogo de futebol, uma comemoração solene, uma feira de livros) ou textos e obras culturais (um romance, uma peça de teatro, um filme).
A importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a que ela se presta. Numa resenha de livros para o grande público leitor de jornal, não tem o menor sentido descrever com pormenores os custos de cada etapa de produção do livro, o percentual de direito autoral que caberá ao escritor e coisas desse tipo.


A resenha pode ser DESCRITIVA ou CRÍTICA.


Resenha descritiva consta de:
I. uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:
a. nome do autor (ou autores);
b. título completo e exato da obra (ou artigo);
c. nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
d. lugar e data da publicação;- número de volumes e páginas.

Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices etc.). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor ( se se tratar de tradução).

II. uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
a. indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.);
b. resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.
Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados, entram também comentários e julgamentos do resenhador sobre as idéias do autor, o valor da obra, etc.


Exemplos:


Resenha do filme: O Senhor das Armas

Dirigido por Andrew Niccol, o filme americano “O Senhor das Armas” – 2005, narra a história de um traficante de armas nascido na Ucrânia e que se torna poderoso nos EUA.
 O traficante Yuri Orlov, Nicolas Cage, viaja o mundo, em algumas das mais perigosas zonas de guerra, negociando armas. O que não é um negócio fácil já que é perseguido incansavelmente por agentes da Interpol, além disso, seus clientes são conhecidos ditadores do mundo.
O negócio é lucrativo, já que muitas são as regiões em conflito e poucas são as intervenções do governo americano em restringir o número de fabricação de armas e de seus usuários. O que não falta no nosso personagem são estratégias de venda e de entrega das mercadorias. Yuri sabe que se não for ele a fazer negócio outro fará.
O que nos faz pensar o que vale mais: a consciência ou o poder. Afinal, o tráfico de armas parece ser uma fonte bastante rentável, mas será que é possível dormir com a consciência tranqüila?


Resenha Crítica: WALL-E

Com estreia mundial em junho de 2008, “WALL-E” é um longa-metragem de animação da Pixar, distribuído pela Disney, e dirigido por Andrew Stanton, que também dirigiu Procurando Nemo. O filme nos traz temas atuais: a produção de lixo, o consumismo exarcebado e o sedentarismo humano.
Enquanto a população mundial navega temporariamente em uma nave pelo espaço, o robô WALL-E, nosso protagonista, vaga pelo planeta Terra, realizando a tarefa árdua a qual ele foi programado a fazer: compactar o lixo do planeta. Sozinho, colecionando inúmeros objetos humanos que ele encontra durante a limpeza. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. WALL-E logo se apaixona pela recém-chegada, que tem a importante missão de verificar as condições de vida do Planeta.
Mas a história vai além da paixão de nosso robozinho. Ela nos remota a questões atuais como a produção e o destino de tolenadas de lixo despejados pelo homem no planeta.  Comportamento de uma sociedade consumista, que não se preocupa com questões ambientais: como a redução, reutilização e reciclagem de materiais usados nos sistemas de produção e consumo ou a adoção de um estilo de vida que acentue a qualidade de vida e previna o dano ao meio ambiente.
 Os benefícios da tecnologica, no primeiro momento, podem facilitar nossa vida e economizar nosso tempo. Mas, a partir do momento que vivemos em função dela, e não ao contrário, pode levar o homem ao sedentarismo. Por exemplo, comprar produtos variados pela internet nos faz economizar tempo e solas de sapato, mas, por outro lado, aumenta o peso na balança. Se correria do dia-a-dia não nos permite a uma alimentação saudável ou a frequentar uma academia, podemos fazer de nossas pequenas tarefas diárias exercícios que nos mantenham em forma.
Se houver no filme qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência -  WALL-E  não é ficção, é uma metáfora da sociedade hoje.


Produção textual: resenha crítica

Agora é a sua vez, escolha um filme, um livro, um cd e faça a sua resenha.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Poesia em ação

Título: Poesia em Ação:   palavra & imagem & movimento

Resumo: O projeto “Poesia em ação: palavra & imagem & movimento” foi aplicado com os alunos do 1º ano do Ensino , durante os meses de agosto e setembro de 2009. Entre os objetivos propostos, permitir os alunos conhecerem espaços virtuais que disponham de acervos literários de domínio público, revistas eletrônicas e experimentações literárias que despertem o gosto pela leitura e a criação de textos poéticos em meio-eletrônico. Para a realização do trabalho, a sala de informática foi espaço essencial, já que a maioria das atividades foi desenvolvida nela. Na primeira etapa, os alunos navegaram livremente pelo site do Nupill (http://www.nupill.org/) - O Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística – que é vinculado ao Curso de Pós-Graduação em Literatura e ao Departamento de Línguas e Literaturas Vernáculas, do Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina. Na segunda etapa, orientados pela professora, leram poesias virtuais que circulam no site do Nuppil, no site oficial de Arnaldo Antunes (http://www.arnaldoantunes.com.br/) e no de Augusto de Campos (http://www.augustodecampos.com.br/), analisando-as e identificando características próprias do texto. Conforme Patrícia Ferreira da Silva Martins, no artigo “Poesia e tecnologia” - Revista texto digital no 04 – site do Nuppil, “Com o uso da teoria da informação, do cálculo de probabilidade e da hipertextualidade, surge uma poesia que passa a ser chamada de poesia virtual. A interatividade, nessa forma de poesia, é total. O poema virtual exige algumas habilidades técnicas por parte do leitor (que se torna co-autor); ele se torna uma obra coletiva, inacabada, indeterminada e em processo.”   Em seguida, estabeleceram relação entre a poesia virtual e a poesia “tradicional”. Segundo Kac "A poesia virtual leva a linguagem a dimensões ainda não vistas da experiência verbal. Essa poesia explora uma nova sintaxe, feita de animação linear ou não-linear, hyperlinks, interatividade, textos em tempo real, descontinuidade espaço-temporais, auto-similaridade, espaços sintéticos, imaterialidade, relações diagramáticas, tempo visual, múltiplas simultaneidades e muitos outros procedimentos inovadores." (http://www.ekac.org/jtpoesia.html). Na etapa final, abastecidos de informações,  elaboraram, em duplas, poesia virtuais, utilizando como ferramenta o apresentador de slides no programa do Linux. Da realização do projeto, fica claro o quanto a Internet hoje tem sido não só um espaço importante para divulgação de textos que fazem parte do nosso acervo literário, mas também um espaço de criação e experimentações lingüísticas, mesclando muitas vezes literatura e arte.  O que facilita a aproximação entre aluno e o texto literário em meio eletrônico, já que essa se dá pela intimidade que o jovem tem com os recursos disponíveis nas novas tecnologias. Por isso, a criação de textos poéticos em meio eletrônico tornou as aulas de Literatura muito mais dinâmicas pelos recursos eletrônicos, além de estimular a criatividade e a criticidade dos alunos nas leituras e na produção dos textos.

Palavras-chave: nupill - poesia virtual - tecnologia

Pão-por-Deus

O Pão-por-Deus consiste na combinação de duas artes: a literária e a plástica, cultivado pelos moradores do litoral catarinense. Na literatura, expressa-se em forma de quadras de sete sílabas poéticas (redondilhas maiores). Na plástica, manifesta-se através do  papel recortado. A configuração do recorte estiliza um coração, porém pode ser apresentado com outras formas. Nesses corações, os versos são escritos e enviados a um(a) amigo(a), namorado(a) ou a qualquer outra pessoa a que se deseja fazer um agrado.





Observe alguns exemplos:
“Peço-peço é passarinho
Primo irmão do espero-espero.
Quando vem teu pão-por-Deus
Nas asas de um quero-quero?”
(Flávio José Cardozo)

“Lá vai meu coração
Neste pobre pão-por-Deus.
Se por mim possuis piedade,
Manda-me também o teu.”
(Alcides Buss)

“As estrelas são meu teto,
Teu coração é um ninho.
Se me deres pão-por-Deus
Eu me faço passarinho.”
(Hugo Mund Júnior)

“O sossego disse adeus,
O silêncio me consome.
Manda urgente pão-por-Deus,
Aceito por telefone.”
(Ieda Inda)

De pão-por-Deus só peço um beijo,
Um beijo pequeninho assim,
Pois, pobre de mim, sou tão feio
E tua formosura é sem fim.
(Jair Francisco Hamms)

Desce a lua, sobe o sol;
Desce o sol, lá sobe a lua.
Se me deres pão-por-Deus,
Minha vida é toda tua.
(Júlio de Queiroz)

      O Pão-por-Deus que são enviados como missivas de amor, amizade ou simpatia hoje tem sua origem em Portugal e nas ilhas de Açores. Alguns historiadores informam que recebemos de nossos patrícios apenas a expressão pão-por-Deus, pois essa arte tão antiga correspondia a um pedido com forma e objetivo diferentes. Lá o Pão-por-Deus era uma solicitação oral feita por garotos, os quais pediam pão e guloseimas aos adultos. O dia do peditório acontecia dia 1º de novembro ou dia 2 (Dia de Finados).

Fontes
1) Cadernos da Cultura Catarinense. Florianópolis, abril a  junho 1985, p.8,9 e 10.
2) Vecchietti – Pão-por-Deus / Alcides Bus set al.Florianópolis : Garapuvu, 2002.

Atividade

Produza um pão-por-Deus a alguém que você deseja fazer um pedido, seguindo os modelos acima.