sábado, 23 de outubro de 2010

Coerência e Coesão

Coerência
A sua redação precisa fazer sentido
Alfredina Nery*


Para que seu texto seja claro, compreensível e possa transmitir a idéia que você queira passar, é importante que ele tenha duas características:  coesão e a coerência. Entenda o que são esses conceitos e saiba como utilizá-los em suas redações.
Deve-se ter em mente que escrever não é apenas colocar palavras no papel. É preciso trabalhar muito para ter um bom texto. Então aí vai uma dica: para começar, pense no fim! Isso mesmo! Qual a finalidade do seu texto? O que você quer com ele? Responda então, para si mesmo, às seguintes questões:

1-       Qual a finalidade do texto? Para que ele serve?
2-       Qual o assunto? Sobre o que vou escrever?
3-       Quem vai ler o meu texto?
4-       Qual tipo de texto vou fazer?

            Vamos a um exemplo concreto. Imagine que você vai escrever uma carta (ou um e-mail) para um jornal comentando uma notícia sobre alimentos transgênicos. Você deve, então, levar em consideração:

·         a finalidade de sua carta (participar do debate, dando sua opinião);
·         o que quer comentar (alimentação e transgênicos);
·         para quem está escrevendo (os outros leitores do jornal);
·         o tipo de texto: a carta ou e-mail.

Depois de ter pensado nisso tudo, você dá sua opinião, usando elementos da carta e escolhendo argumentos que sustentem suas idéias. Assim, para escrever sua carta, você - como autor - precisa elaborar um texto "coerente", ou seja, que faça sentido. O texto deve ser coerente não só com suas idéias, mas também coerente em relação ao seu objetivo, ao leitor que pretende atingir, ao gênero textual que está desenvolvendo.


Coesão e coerência

Imagine a seguinte situação: na grande decisão de um campeonato, o técnico de um dos times declarou aos jornalistas:

"Vamos respeitar o adversário, mas, agora, nosso time está coeso".
Agora, numa outra situação, a namorada diz para o namorado:
"Não adianta. Não vou mais perdoar você. Quero que tenha atitudes coerentes."
Na primeira situação, o técnico enfatizou o fato de seu time estar coeso, como uma qualidade importante para ganharem o jogo. "Coeso" significa "unido", "intimamente ligado", "harmônico".

Na segunda situação, a namorada cobra atitudes coerentes do namorado. "Coerência" significa "harmonia", "conexão", "lógica".

Sem coesão e coerência, sua redação não existe! Quando muito, há um amontoado desconexo de palavras colocadas lado a lado. Vamos a mais uma reflexão? Desta vez, leia o trecho de uma crônica de Millôr Fernandes.

“As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica” - Richard Gehman

“Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte."
“Junto com as outras?"
“Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.";
“Sim senhora. Olha, o homem está aí."
“Aquele de quando choveu?"
“Não o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo."
“Que é que você disse a ele?"
“Eu disse para ele continuar."
“Ele já começou?"
“Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse."
(...)
(Millôr Fernandes. "Trinta anos de mim mesmo". São Paulo: Abril Cultural, 1973)

            Veja como o humorista faz sua sátira, a partir de duas idéias básicas: "as mulheres falam demais" e "somente as mulheres se entendem".
            Comece a analisar pelo título a ironia do autor: "A vaguidão específica" (como algo pode ser vago e específico, ao mesmo tempo? Só as mulheres, diria Millôr e os que pensam como ele...). Para confirmar suas idéias, ele busca uma "autoridade" para fazer a citação: Richard Gehman (quem seria? Um estrangeiro, pelo nome. Novamente, o humorista brinca com uma idéia pronta: sendo "alguém de fora" deve ter muito a nos ensinar...).
            Quem participa da história narrada? Duas mulheres. São elas patroa e empregada? Mãe e filha? Não sabemos. Qual é o assunto de que falam as duas mulheres? Nós, leitores, não sabemos, mas as duas personagens sabem, não é mesmo?
            A que se referem as palavras e trechos: "isso", "outras", "alguém", "qualquer coisa", "lugar do outro dia", "o homem", "Aquele", "o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo", "continuar", "começou"? Os leitores não sabem, mas as mulheres sim e como as duas sabem do que estão falando, a "costura" do texto vai sendo feito de forma coerente e coesa.
            Você viu que Millôr Fernandes, intencionalmente, quis brincar com um preconceito social a respeito da mulher e seu jeito de falar, considerado excessivo. Assim, para entendermos o texto, como coerente e coeso, é preciso levar em conta o fato do autor ser um humorista e seu texto trazer essa marca da "surpresa" ou do "olhar sobre outro ângulo" - como numa piada.







Texto para as questões 1 e 2:


Circuito fechado

            Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata,
paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves,  lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos.
            Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis,  telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de  notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída,  vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo.
            Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi.
            Mesa, toalha,  cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo,  xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno,  externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel,  relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
Ricardo Ramos

1. O fato de o autor utilizar apenas substantivos na construção do texto Circuito fechado remete a um determinado efeito semântico. De acordo com a leitura  do texto, esse efeito de sentido é:
(A) Estático.
(B) Dinâmico.
(C) Referencial.
(D) Qualitativo.
(E) Quantitativo.

2. Embora, no texto Circuito fechado, o autor não utilize verbos e marcas lingüísticas de coesão, como  preposições e conjunções, é perfeitamente possível compreender a sua mensagem. Assinale a alternativa que apresenta a intenção do autor ao utilizar apenas substantivos na construção do texto:
(A) O autor desvia o foco de atenção do indivíduo para os objetos, o que se justifica pela utilização apenas de substantivos.
(B) A intenção do autor, no texto, é chamar a atenção para o estilo de vida de um indivíduo solitário e metódico, que vive uma rotina angustiante.
(C) Por meio de substantivos, o autor enumera o conjunto de ações realizadas por um indivíduo no seu dia-a-dia.
(D) Apesar de não utilizar palavras que indicam processo, o autor sugere o estilo de vida dinâmico de um indivíduo metódico.
(E) O texto mostra a realidade da vida moderna, em que o indivíduo tem que realizar várias ações ao mesmo tempo.







Coesão
As partes de sua redação formam um todo?
Alfredina Nery*


Ao lado da coerência, a coesão é outro requisito para que sua redação seja clara, eficiente. A seguir, mostramos alguns elementos que permitem que sua redação seja coesa. Para entender melhor a coesão textual, analise como algumas palavras/frases estão ligadas entre si dentro de uma seqüência, numa conhecida fábula de Esopo.


O cão e a lebre

Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição, ele parou a caçada. Um pastor de cabras vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
“Aquele pequeno animal é melhor corredor que você”.
O cão de caça respondeu:
“Você não vê a diferença entre nós: eu estava correndo apenas por um jantar, mas ela por sua vida.”

Moral:O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é que vai determinar sua qualidade final.
Fábula
Elementos de coesão
Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição,ele parou a caçada. Um pastor de cabras, vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:

“Aquele pequeno animal é melhor corredor que você. “

O cão de caça respondeu:
“Você não vê a diferença entre nós: eu estava correndo apenas por um jantar, mas ele por sua vida.”

1- No início da fábula, as personagens são indicadas por artigos indefinidos que marcam uma informação nova (ou não dita anteriormente): “Um cão de caça” + “uma lebre” + “Um pastor de cabras”, o que também sinaliza uma situação genérica, como é típico nas fábulas.

2- “Sua toca”: o pronome possessivo refere-se à casa da lebre.

3 - No lugar de repetir a palavra ”cão”, foi usado o pronome pessoal por três vezes:
“ele” = cão
“vendo-o” + “ridicularizou-o” = vendo o cão + ridicularizou o cão.

4- Para retomar o substantivo “lebre” foi usada uma
expressão semelhante: “Aquele pequeno animal”.

5- No meio do texto, há o uso do artigo definido “o cão de caça e não mais “um cão” como no início. Aqui a referência ao animal está sendo retomada: já se sabe qual cão era.

6- A conjunção ”mas” indica um contraste: o cão corria por um jantar enquanto a lebre corria para salvar sua vida

Você percebeu que os sentidos do texto são "fios entrelaçados" e não palavras soltas ou frases desconectas? São os elementos coesivos que organizam o texto de forma a constituir também sua coerência.
A coesão textual pode ser feita através de termos que:

·         retomam palavras, expressões ou frases já ditas anteriormente ("anáfora") ou antecipam o que vai ser dito ("catáfora"). Na fábula, são exemplos de anáforas os itens 2, 3, 4 e 5 da coluna à direita da tabela;

·         encadeiam partes ou segmentos do texto: são palavras ou expressões que criam as relações entre os elementos do texto. Exemplo na fábula: item 6, a conjunção "mas" que, além de ligar as duas partes do texto (uma que se refere à atitude da lebre e a outra, ao cão), estabelece uma determinada relação entre elas, isto é, um contraste.

A coesão por retomada ou antecipação pode ser feita por : pronomes, verbos, numerais, advérbios, substantivos, adjetivos.
A coesão por encadeamento pode ser feita por conexão ou por justaposição.

1) A coesão por conexão traz elementos que:

a) fazem uma gradação na direção de uma conclusão: "até", "mesmo", "inclusive" etc;
b) argumentam em direção a conclusões opostas: "caso contrário", "ou", "ou então",
"quer... quer"; etc;
c) ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão: "e", "também", "ainda", "nem", "não só... mas também" etc;
d) fazem comparação de superioridade, de inferioridade ou igualdade: "mais... do que", "menos... do que", "tanto... quanto", etc
e) justificam ou explicam o que foi dito: "porque", "já que", "que", "pois" etc;
f) introduzem uma conclusão: portanto, logo, por conseguinte, pois, etc;
g) contrapõem argumentos: "mas", "porém", "todavia", "contudo", "entretanto", "no entanto", "embora", "ainda que" etc;
h) indicam uma generalização do que já foi dito: "de fato", "aliás", "realmente", "também" etc;
i) introduzem argumento decisivo: "aliás", "além disso", "ademais", "além de tudo" etc;
j) trazem uma correção ou reforçam o conteúdo do já dito: "ou melhor", "ao contrário", "de fato", "isto é", "quer dizer", "ou seja", etc;
l) trazem uma confirmação ou explicitação: "assim", "dessa maneira", "desse modo", etc;
m) especificam ou exemplificam o que foi dito: "por exemplo", como, etc

2) Os elementos coesivos por justaposição estabelecem a seqüência do texto, ou seja:
a) introduzem o tema ou indicam mudança de assunto: "a propósito", "por falar nisso", "mas voltando ao assunto" etc;
b) marcam a seqüência temporal: "cinco anos depois", "um pouco mais tarde", etc;
c) indicam a ordenação espacial: "à direita", "na frente", "atrás", etc;
d) indicam a ordem dos assuntos do texto: "primeiramente", "a seguir", "finalmente", etc;

Para analisar o papel da coesão na construção dos sentidos de um texto, faça a correlação entre os provérbios e os elementos coesivos respectivos, preenchendo as lacunas, de tal forma que haja coerência entre as duas partes que constituem esse tipo de texto :

Provérbios
Elementos de coesão
por conexão
Devagar ....... sempre se chega na frente.
mas
Trate os outros ..... quer ser tratado.
mais... do que
A aparência pode ser mudada, ..... a natureza não.
e
Ao carneiro ......peça lã.
como
....vale paciência pequenina ... força de leão.
somente

Você percebeu que, nos casos acima, a precisão no uso dos elementos de coesão faz toda a diferença na significação de cada provérbio, não é mesmo?
Para concluir, podemos afirmar que o texto é tanto produto como processo. Ao escrever, o autor planeja seu texto, a partir de sua finalidade, deixando pistas de sua intencionalidade. O leitor, por sua vez, vai perseguindo essas pistas, para poder interpretar o texto. Nesse sentido, a coesão textual - ou pistas lingüísticas - tem uma importante função na produção de todo e qualquer texto.




Exercícios


1. Ordene os períodos abaixo, observando a perfeita coesão e coerência, formando um texto.
( ) Segundo o escrivão de polícia da cidade, José Melônio Heston, o agressor comprou um revólver calibre 38, dias antes do crime.
( ) “O menino que ele matou, por exemplo, já tinha jogado lama nele”, contou.
( ) Por volta da 19h30min do dia 4 de fevereiro, ele foi até a casa de um colega de 14 anos, que o provocava na escola, e o matou.
( ) Em 2004, um adolescente de 17 anos, de Remanso, na Bahia, atirou contra um colega depois de ser ridicularizado na escola.
( ) “Não sei por que, mas ele (o atirador) sofria muita humilhação na escola.”
(http://g1.globo.com/noticias Acesso em 27/4/2007. Adaptado)
A seqüência correta é
a) 1, 4, 2, 3, 5.
b) 2, 5, 3, 1, 4.
c) 4, 2, 1, 5, 3.
d) 3, 1, 4, 5, 2.



Nas questões 02 e 03, numere os períodos de modo a constituírem um texto coeso e coerente e, depois, indique a seqüência numérica correta.

02-
     ( ) Por isso era desprezado por amplos setores, visto como resquício da era do capitalismo desalmado.
             ( ) Durante décadas, Friedman - que hoje tem 85 anos e há muito aposentou-se da Universidade de Chicago - foi visto como uma espécie de pária brilhante.
     ( ) Mas isso mudou; o impacto de Friedman foi tão grande que ele já se aproxima do status de John Maynard Keynes (1883-1945) como o economista mais importante do século.
    ( ) Foi apenas nos últimos 10 a 15 anos que Milton Friedman começou a ser visto como realmente é: o mais influente economista vivo desde a Segunda Guerra Mundial.
   ( ) Ele exaltava a ‘liberdade’, louvava os ‘livres mercados’ e criticava o 'excesso de intervenção governamental.' (Baseado em Robert J. Samuelson, Exame, 1/7/1998)

        a) 4, 2, 5, 1, 3
b) 1, 2, 5, 3, 4
c) 3, 1, 5, 2, 4
d) 5, 2, 4, 1, 3
e) 2, 5, 4, 3, 1

     03-  
(   ) Na verdade, significa aquilo que um liberal americano descreveria (sem estar totalmente correto, porém) como conservadorismo.
(   ) Nos Estados Unidos, liberalismo significa a atuação de um governo ativista e intervencionista, que expande seu envolvimento e as responsabilidades que assume, estendendo-os à economia e à tomada centralizada de decisões.
(  ) A guerra global entre estado e mercado contrapõe ‘liberalismo’ a ‘liberalismo’.
(   ) No resto do mundo, liberalismo significa quase o oposto.
(  ) Esta última definição contém o sentido tradicional dado ao liberalismo.
(   ) Esse tipo de liberalismo defende a redução do papel do Estado, a maximização da liberdade individual, da liberdade econômica e do papel do mercado. (Exame, 1/7/1998)

a) 1, 5, 3, 4, 2, 6
b) 3, 1, 4, 5, 6, 2
c) 2, 4, 5, 3, 6, 1
d) 4 , 2, 1, 3, 6, 5
e) 1, 3, 2, 6, 5, 4

4 -  Os fragmentos abaixo constituem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os de forma coesa e coerente e assinale a resposta correta.
A. Na sede da entidade, a Receita recolheu para análise dezenas de notas fiscais, comprovantes de pagamentos e livros contábeis. Com base nos documentos, o órgão federal espera esclarecer a questão. O movimento financeiro durante os dez dias da festa é avaliado pelo Sebrae da cidade em R$ 278 milhões.
B. Segundo sua análise, o evento reúne 1 milhão de pessoas, com uma média de R$ 278 gastos por freqüentador. Desses R$ 278 milhões, a média de arrecadação é de 3%. Segundo informações obtidas pela Receita, metade desse percentual estaria sendo sonegado - ou seja, R$ 4,17 milhões. Além do clube, devem ser fiscalizados hotéis, restaurantes e a empresa que vende os anúncios da festa.
C. A suspeita de sonegação surgiu porque o recolhimento dos tributos por parte de comerciantes e empresários da região, no período da festa, é o mesmo dos outros meses do ano. "Todo mundo diz que o faturamento dobra ou triplica no período da festa, mas o total arrecadado em impostos fica igual", diz o delegado da Receita. O primeiro alvo dos auditores na cidade foi o clube Os Independentes, instituição responsável pela organização da Festa do Peão de Boiadeiro.
D. A Receita Federal de Franca está apurando a sonegação de impostos praticada pelas empresas e associações que atuam na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.
(Rogério Pagnan, Folha de S. Paulo, 15/08/2000, p. F2, com adaptações)

a) C, A, B, D
b) D, C, A, B
c) A, B, C, D
d) D, B, C, A
e) B, C, D, A


5 - Os trechos abaixo compõem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os para que componham um texto coeso e coerente e indique a opção correta. 
( ) O primeiro desses presidentes foi Getúlio Vargas, que soube promover, com êxito, o modelo de substituição de importações e abriu o caminho da industrialização brasileira, colocando, em definitivo, um ponto final na vocação exclusivamente agrária herdada dos idos da colônia.
( ) O ciclo econômico subseqüente que nos surpreendeu, sem dúvida, foi a modernização conservadora levada à prática pelos militares, de forte coloração nacionalista e alicerçado nas grandes empresas estatais.
(  ) Hoje, depois de todo esse percurso, o Brasil é uma economia que mantém a enorme vitalidade do passado, porém, há mais de duas décadas, procura, sem encontrar, o fio para sair do labirinto da estagnação e retomar novamente o caminho do desenvolvimento e da correção dos desequilíbrios sociais, que se agravam a cada dia.
( ) Com JK, o país afirmou a sua confiança na capacidade de realizar e pôde negociar em igualdade com os grandes investidores internacionais, mostrando, na prática, que oferecia rentabilidade e segurança ao capital.
( ) Em mais de um século, dois presidentes e um ciclo recente da economia atraíram as atenções pelo êxito nos programas de desenvolvimento.
( ) Juscelino Kubitschek veio logo depois com seu programa de 50 anos em 5, tornando a indústria automobilística uma realidade, construindo moderna infra-estrutura e promovendo a arrancada de setores estratégicos, como a siderurgia, o petróleo e a energia elétrica.
(Emerson Kapaz, “Dedos cruzados” in: Revista Política Democrática nº 6, p. 39)

        a) 1º - 2º - 4º - 5º - 6º - 3º
b) 2º - 3º - 5º - 1º - 4º - 6º
c) 2º - 5º - 6º - 4º - 1º - 3º
d) 5º - 2º - 4º - 6º - 3º - 1º
e) 3º - 5º - 2º - 1º - 4º - 6º

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jornalismo

Dois séculos de imprensa no Brasil

FONTE: Roberto Seabra, in Imprensa e Poder. Brasília: Editora UnB, 2002


Pontos:

Primórdios do jornalismo no Brasil;
Tipos de Jornalismos.

Primórdios:


Revolução Francesa: Nos dizeres de Ciro Marcondes, o jornalismo é filho legítimo da Revolução Francesa, mas se consolidou na forma que conhecemos hoje no século XIX, especialmente na Inglaterra, França e Estados Unidos.

Brasil: No Brasil a imprensa tem como sua principal característica o seu surgimento tardio, justificado pela ausência de burguesia e capitalismo, praticamente, até o final do século XIX (um atraso de mais de 200 anos em relação a outros países americanos, como EUA e México). O surgimento da imprensa brasileira é decorrente da vinda da família real portuguesa, em 1808. Sendo que o primeiro jornal do país, o Correio Braziliense, era editado na Inglaterra e proibido de circular em território nacional. O segundo jornal brasileiro, A Gazeta do Rio de Janeiro era uma espécie de Diário Oficial da Coroa Portuguesa.
Estilos: Segundo Sebastião Breguez, o estilo jornalístico nacional, desde o seu surgimento até hoje pode ser dividido em três fases: jornalismo ideológico e opinativo, jornalismo informativo e jornalismo interpretativo. A divisão, no entanto, parece simplista e até controvérsia, uma vez que não contemplam todas a nuances da questão, conforme mostra o autor deste texto a seguir.


Tipos de Jornalismo

Fases do desenvolvimento do jornalismo no Brasil: o autor propõe cinco fases como categorias de análise.

1) Jornalismo literário: que vai do surgimento da imprensa no Brasil até o final do século XIX.
2) Jornalismo informativo estético: que compreende o período de transição entre o fim do século XIX e o fim da 1a Guerra Mundial.
3) Jornalismo informativo utilitário: que abrange todo o período do entreguerras e se estende pelas décadas de 50 e 60.
4) Jornalismo interpretativo: fase que corresponde ao período que vai dos anos 70 até a última década do século.
5) Jornalismo plural: modelo atual, que começa a substituir o paradigma anterior.


Jornalismo literário

Pode-se dizer que essas duas carreiras cresceram juntas na imprensa e uma influenciou a outra.
Segundo Juarez Bahia, o fato político é anterior ao fato literário no jornalismo brasileiro, mas a sua técnica se aperfeiçoa e se desenvolve à medida que os jornais conciliam a natureza política com a natureza reflexiva que a Expressão literária fornece.
Juarez Bahia deixa claro, no entanto, que o jornalismo opinativo e ideológico é fruto de um momento histórico em que a imprensa ainda não era vista como empresa capitalista. Essa fase, de acordo com Cremilda Medina, antecede o surgimento da empresa jornalística no Brasil, o que se dá somente no final do século XIX.


Jornalismo informativo estético

Esta segunda fase do jornalismo começa a se definir  por volta de 1880, período marcado por um “surto industrial”, com novos investimentos em jornais, atualização do maquinário gráfico e investimentos na compra de papel.
Aqui a informação começa a ser vista como um produto e os acontecimentos políticos, econômicos e sociais passam a ocupar espaços antes preenchidos pelos meros debates. Os veículos passam a ser portadores dos interesses da classe produtora e das camadas médias. É o fim da imprensa artesanal.
A primeira etapa do jornalismo informativo começa ser definida na virada do século XX e vai ganhar forma durante a 1a Guerra Mundial. João do rio foi o grande inovador do jornalismo carioca do início do século XX.
Até o final do século XIX, a imprensa nacional se guiava por parâmetros do que era feito na Europa (especialmente Portugal, França e Inglaterra). A partir do início do século XX, é possível notar uma aproximação entre o jornalismo brasileiro e o norte-americano.
Cabe ressaltar, no entanto, que a experiência norte-americana é completamente diferente da brasileira. Enquanto no Brasil o jornalismo surge com atraso, nos EUA a imprensa aparece em 1638 e o modelo de colonização também era diverso do nosso.
Após a 1a Guerra, o modelo norte-americano começa a encontrar adeptos no Brasil. As relações comerciais e políticas, a influência das agências de informação, o intercâmbio cultural ente os dois países são fatores que influenciaram essa mudança.


Jornalismo informativo utilitário


A fase do estilo do jornalismo informativo utilitário corresponde a todo um período de afirmação da imprensa brasileira.
O período do entreguerras é marcado por uma série de acontecimentos que aceleram o desenvolvimento do jornalismo informativo, deixando para trás o jornalismo literário.
O primeiro fato novo é o surgimento do rádio. Em 1923 começa a operar a primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (depois rádio Ministério da Educação e Cultura).
Se até o início do século XX a imprensa detinha a exclusividade da função informativa mediática, a partir da década de 1920 teve que começar a dividir esse espaço com a difusão sonora.
Outro fator foi o surgimento da revista ilustrada brasileira, O Cruzeiro, de 1928.
Esses dois fatores forçaram a imprensa a se modernizar: adotar o uso de imagens (fotografias e ilustrações) e a buscar novo padrão visual que pudesse agregar algo mais que o fato, a notícia e a informação. Não basta mais apenas divulgar a informação, é preciso envolve-las em um novo material, em algo que concorra com a “velocidade” do rádio.
A embalagem dos jornais, revistas e livros com uma diagramação que equilibra grandes massas e grandes claros, com coordenação de retângulos, poucos ornamentos, grandes fotos só será abalada nos anos 80, com a recessão que obriga as empresas jornalísticas a economizarem papel.
A televisão, instalada comercialmente no fim da década de 1950, também virá a acrescentar novos dilemas ao rápido processo que vinha transformando a imprensa escrita numa mídia cada vez mais distante daquele paradigma literário.
A década de 1950 é o verdadeiro marco que separa aquilo que os autores como Habermas chamariam de fase do “jornalismo literário” e a entrada dos quadros do chamado “jornalismo empresarial”.


Jornalismo interpretativo


A Durante as décadas de 1960 e 1970 coexistem na imprensa brasileira dos estilos jornalísticos. A ditadura do “lead”, que ainda impera até hoje nas redações. Mas a concorrência com o rádio e a TV levou os jornais a repensar a prática e abrir espaços para novos estilos. Algumas empresas investiram nas revistas de reportagem, espaços em que são permitidos textos mais flexíveis e interpretativos.
O acontecimento da TV como medium noticioso importante e principal concorrente dos jornais, o que vai se consolidar na década de 1960,  provoca uma profunda mudança no estilo jornalístico e vai reconfigurar o modelo de leitor.
O momento do jornalismo interpretativo é, no segundo momento, a retomada do jornalismo investigativo. Durante o regime militar de 1964 o jornalismo investigativo irá praticamente desaparecer.
O jornalismo interpretativo significou, além do fim da ditadura do lead, a valorização da reportagem e de uma elite de repórteres especiais, o que permitiu retomar os velhos estilos literários, com narrativas e elaboração de textos mais ousados e criativos.
Do ponto de vista  gráfico, o novo jornalismo também lança mão de recursos visuais ( gráficos, infografias e ilustrações). A idéia é que o jornal impresso é uma espécie de TV de papel.


Jornalismo plural


A maioria dos estudos sobre o jornalismo brasileiro pára na fase do jornalismo interpretativo, mas o autor defende aqui um novo estilo: o jornalismo plural. Segundo ele, se até á década de 1980 era possível visualizar os estilos predominantes, hoje vivemos um momento de multiplicidade de “escolas”, novas ou revisadas, o que é denominado por ele como jornalismo plural.
O jornalismo plural, então, não seria um estilo, mas um modelo em que cabem diversos estilos. Ele seria resultado de uma nova realidade dos meios de comunicação, em que a informatização das informações e o surgimento da internet alteram profundamente o conceito de notícia.
Para Anthony Smith, a informatização da imprensa é uma terceira revolução nas comunicações. A primeira teria sido causada pelo surgimento da escrita, a segunda pela imprensa de Gutenberg.
Já Wilson Dizard afirma que a convergência tecnológica e as transformações nas tecnologias da mídia de massa são a terceira grande mudança nas comunicações. A primeira aconteceu em meados do século XIX (período do jornalismo literário), com a introdução das impressoras a vapor e o papel jornal de baixo custo. A segunda ocorreu no início do século XX, com a introdução do rádio, em 1920, e da televisão, em 1939 (jornalismo informativo).
Essa terceira mudança permitiu a produção, armazenamento e distribuição da informação e entretenimento estruturados em computadores. Assim, é possível imaginar no jornalismo plural que as novas tecnologias mudaram o eixo do controle da informação. Vulgariza-se entre os jornalistas a idéia de que cada um pode ter o seu próprio jornal.
Isso parece um ledo engano, pois vivemos um modelo plural, mas, nem por isso, democrático e, muito menos, igualitário. Conforme Michel Mattelart a rede também serve para “fazer esquecer uma sociedade profundamente segregada e para dela propor uma visão harmônica”.










Princípios do bom jornalismo


1. A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade
2. A primeira lealdade do jornalismo é com o cidadão
3. A essência do jornalismo é a disciplina da verificação
4. Os jornalistas devem manter independência daqueles a quem cobrem
5. O jornalismo deve funcionar como monitor independente do poder
6. O jornalismo deve apresentar um fórum para a crítica pública e o público
7. O jornalismo deve lutar para transformar o fato significante em interessante e relevante
8. O jornalismo deve manter as notícias compreensíveis e equilibradas
9. Os jornalistas devem ter liberdade para exercer sua consciência pessoal 








O jargão jornalístico


Para entender a linguagem jornalística, é bom conhecer alguns termos usados no dia-a-dia das redações.

Artigo - Texto que traz a opinião e a interpretação do autor sobre um fato. Geralmente é assinado e não reflete necessariamente a opinião da publicação.

Editorial - É a opinião da empresa que publica o periódico sobre temas relevantes. Não é assinado.

Entrevista - Contato pessoal entre o repórter e uma ou mais pessoas (fontes) para coleta de informações. Também designa um tipo de matéria jornalística redigida sob a forma de perguntas e respostas (também conhecida como pingue-pongue).

Legenda - Texto breve colocado ao lado, abaixo ou dentro de foto ou ilustração, que acrescenta informações à imagem.

Lide - Abertura de um texto jornalístico. Pode apresentar sucintamente o assunto, destacar o fato principal ou criar um clima para atrair o leitor para o texto. O tradicional responde a seis questões básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê.

Manchete - Pode ser tanto o título principal, em letras grandes, no alto da primeira página de um jornal, indicando o fato jornalístico de maior importância entre as notícias contidas na edição, ou o título de maior destaque no alto de cada página.

Nota - Pequena notícia.

Notícia - Relato de fatos atuais, de interesse e de importância para a comunidade e para o público leitor.

Pauta - Agenda ou roteiro dos principais assuntos a ser noticiados numa publicação jornalística.

Reportagem - Conjunto de providências necessárias à confecção de uma notícia jornalística: pesquisa, cobertura de eventos, apuração, seleção dos dados, interpretação e tratamento.
Verbetes adaptados do Dicionário de Comunicação, de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Barbosa, Ed. Ática





 

 

 

 

NOTÍCIA


 

Notícia é a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina. Caracteriza-se por uma linguagem clara, impessoal, concisa e adequada ao veículo que a transmite. Deve ter o predomínio da função referencial da linguagem. Há predominância da narração.  Por ser  impessoal, o discurso  é de terceira pessoa. Em  sua estrutura padrão,  possui duas característica fundamentais: “ Lead” e corpo.
 “Lead” consiste num parágrafo que apresenta um relato sucinto dos aspectos essenciais da notícia, cujo objetivo é dar informações básicas ao leitor e motivá-lo a continuar a leitura. Precisa, normalmente, responder às questões fundamentais do jornalismo: o quê, quem, quando, onde, como e por quê. Corpo  são os demais parágrafos da notícia, nos quais se apresentam o detalhamento do exposto no “lead”, fornecendo ao leitor novas informações em ordem cronológica ou de importância.


  




Como a imprensa brasileira noticiaria hoje
a história de Chapeuzinho Vermelho?


Jornal Nacional
Willian Bonner: "Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...".
Fátima Bernardes: "...mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia.".


Fantástico
Glória Maria: "...que gracinha, gente. Vocês não, não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo? Bárbaro!"


Brasil Urgente
Datena: "...onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! Isso é uma piada!! Esses políticos são uns brincalhões! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Isso é um tapa na cara da sociedade brasileira. Põe na tela! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não."


Veja
"PT envolvido no escândalo do Lobo."


Cláudia
"Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho".


NOVA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama."


Marie Claire
"Na cama com o lobo e a vovó."


Folha de São Paulo
Legenda da foto: "Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador". Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.


O Estado de São Paulo
"Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT."


Zero hora
"Avó de Chapeuzinho nasceu no RS."


Agora
"Sangue e tragédia na casa da vovó."


Caras
Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte: "Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a Caras: Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa."


Playboy
Ensaio fotográfico no mês seguinte: "Veja o que só o lobo viu."


ISTOÉ
"Gravações revelam que lobo foi assessor de influente político."


G Magazine
Ensaio fotográfico com lenhador: "Lenhador mostra o machado."


FOLHA DIRIGIDA
"Concurso para lenhador leva candidato à comilança."








Notícias do fim do mundo

The New York Times
O MUNDO VAI ACABAR

O Globo
GOVERNO ANUNCIA O FIM DO MUNDO

Jornal do Brasil
FIM DO MUNDO ESPALHA TERROR NA ZONA SUL

O Dia
FIM DO MUNDO PREJUDICA SERVIDORES

Folha de São Paulo
SAIBA COMO SERÁ O FIM DO MUNDO(ao lado de um imenso infográfico)

O Estado de São Paulo
CUT E PT ENVOLVIDOS NO FIM DO MUNDO

Zero Hora
RIO GRANDE VAI ACABAR

A Notícia
PSICOPATA MATA A MÃE, DEGOLA O PAI, ESTUPRA A IRMÃ E FUZILA O IRMÃO AO SABER QUE O MUNDO VAI ACABAR!

Tribuna de Alagoas
DELEGADO AFIRMA QUE FIM DO MUNDO SERÁ CRIME PASSIONAL

Estado de Minas
SERÁ QUE O MUNDO ACABA MESMO?

Jornal do Commercio
JUROS FINALMENTE CAEM!

Jornal dos Sports
NEM O FIM DO MUNDO SEGURA O MENGÃO!

Correio Braziliense
CONGRESSO VOTA CONSTITUCIONALIDADE DO FIM DO MUNDO

Notícias Populares
O MUNDO SIFU, ACABOU-SE TUDO!

Revistas: Veja
EXCLUSIVO: ENTREVISTA COM DEUS
- Por que o apocalipse demorou tanto
- Especialistas indicam como encarar o fim do mundo
- Paulo Coelho: "O profeta viu o fim do mundo e chorou"

Nova
O MELHOR DO SEXO NO FIM DO MUNDO

Querida
TESTE: SEU NAMORO VAI ACABAR ANTES DO FIM DO MUNDO?

Playboy
NOVA LOIRA DO TCHAN: UM APOCALIPSE DE SENSUALIDADE!

Info Exame
100 DICAS DE COMO APROVEITAR O WINDOWS THE END!

Época
ATÉ O FIM DO MUNDO A SUA REVISTA "ÉPOCA" ESTARÁ CUSTANDO R$2,80

Guia de Programação Net
EXCLUSIVO: O FIM DO MUNDO NA GNT FORMA E BELEZA
Tenha um END light. Leia aqui, como!

E finalmente, no boletim NEWS MICROSOFT
WINDOWS 99 FOR GHOSTS







Produção textual: Notícia



Proposta 1: a  partir destes textos os alunos produzirão notícias relacionadas à morte da personagem Cigarra e a boa ação da Formiga Boa.


A cigarra e as formigas

No inverno, as formigas estavam fazendo secar o grão molhado, quando uma cigarra faminta lhes pediu algo para comer. As formigas lhe disseram: “Por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?” A cigarra respondeu: “Não tinha tempo, pois cantava melodiosamente”. E as formigas, rindo, disseram: “Pois bem, se cantavas no verão, dança agora no inverno.”
(Esopo)

A Formiga Boa
[...]
- E que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois de um acesso de tosse.
- Eu cantava, bem sabe...
- Ah!... – exclamou a formiga recordando-se.
- Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
- Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: “Que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora!” Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
(Monteiro Lobato)

A Formiga Má
[...]
A formiga era uma usuária sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.
- Que fazia você durante o bem tempo?
- Eu.. eu cantava!...
- Cantava? Pois dance agora, vagabunda! E fechou-lhe a porta no nariz: a cigarra ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra morta por causa da avareza da formiga. Mas se a usuária morresse, quem daria falta dela?
Os artistas, poetas, pintores e músicos são as cigarras da humanidade.
(Monteiro Lobato)









           Proposta 2: os alunos produzirão notícias a partir da história de Chapeuzinho Vermelho.







Ponto de vista


Como o falante pode tirar proveito dos recursos que a língua oferece: o ponto de vista do falante determina suas escolhas lexicais e o emprego dos adjetivos (jovem, caso o torcedor fosse rubro-negro ou tricolor, mas delinqüente, caso fosse vascaíno; cão feroz ou simplesmente cachorro, no primeiro caso, e cão inofensivo, no segundo):



A MORTE DO PIT BULL

Dois adolescentes estavam a caminho de casa, depois do colégio, quando um deles foi atacado por um pitbull muito feroz. O outro pegou um pedaço de pau e bateu no cachorro pra salvar o amigo.
Então parou um repórter e disse:
— Nossa, essa matéria eu não posso perder! E já sei o que eu vou escrever! “Jovem rubro-negro enfrenta cão feroz pra salvar seu inocente amigo!”.
Então o jovem disse:
— Eu não sou flamenguista!
Aí o repórter começou:
— “Jovem tricolor enfrenta cachorro pra salvar o amigo!”.
Mas o rapaz insiste:
— Eu não sou tricolor!
E o repórter, já nervoso, pergunta:
— O que você é então?
O garoto diz:
— Eu sou Vasco!
No outro dia, saiu assim na coluna do jornalista, rubro-negro fanático:
— Delinqüente vascaíno assassina cão inofensivo!
Fonte: Pimentel, 2006