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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Linguagem dissertativa - exercícios


A linguagem dissertativa
1- Adequação
A redação deve obedecer à norma culta escrita, evitando-se repetições inexpressivas, gírias, vocabulário impreciso, etc.
Exemplo de impropriedade a ser evitada:
Tem um negócio que a gente sente que é uma coisa tipo quando você sente dor no peito.
Há um sentimento muito doloroso, que nos atinge às vezes no peito.

Exercício -1-
Reescreva as frases seguintes, adequando-as à norma escrita:
a) O homem tem um troço que é que o separa dos animais, a liberdade.
b) Com tantos problemas que tem, a televisão fica aí, como uma vaca no meio da sala.

2- Clareza
O texto precisa ser inteligível; para isso, devem-se evitar ambiguidades e obscuridades.
Exemplo de ambiguidade a ser evitada:
Sexo? Só com os pais.
Educação sexual? Só com os pais.

Exercício -2-
Reescreva as frases seguintes, resolvendo a ambiguidade:
a) Moradores reivindicam centro de saúde com criatividade.
b) Museu reúne quadros com mulheres de Picasso.
c) Família muda vende tudo.
d) A sociedade não percebe o mal que a televisão faz a si própria.
e) Proibido entrar na loja de patins.
f) Proibido entrar de patins na loja.

3- Concisão
As palavras e frases devem ser utilizadas com economia, evitando-se redundâncias. É preciso estar atento também à prolixidade, ao excesso de palavras desnecessárias.
Exemplo de redundância e prolixidade a evitar:
Os dois fizeram o trabalho. Seu amigo tinha convidado para fazerem um trabalho. Os dois fariam o trabalho e dividiriam o dinheiro ganho com o trabalho.
Seu amigo o convidou para fazer um trabalho. Fizeram-no e dividiram o dinheiro ganho.

Exercício -3-
Reescreva as frases seguintes, dando concisão à linguagem:
a) Um córtex grande não determina necessariamente a inteligência. Mas um córtex pequeno também não determina a falta de Inteligência.
b) Novidade inédita na área de informática agita o mercado.
c) Compre uma calça e ganhe grátis um brinde.

4- Coesão
A organização do texto deve ser feita com nexos lógicos adequados, encadeando-se logicamente as ideias e evitando-se frases e períodos desconexos.
Exemplos de confusão a ser evitada:
Deve existir uma forma de avaliar os candidatos; e isso não é possível apenas fazendo uma prova, onde os candidatos poderiam talvez ter ido melhor no dia seguinte ou no anterior por questões psicológicas, mentais ou o que for.
Deve haver uma forma de avaliar os candidatos, mas isso não é possível com a aplicação de uma única prova, pois seu desempenho pode variar em dias diferentes, graças ás condições psicológicas, por exemplo.

Exercício -4-
Reescreva as frases seguintes, com linguagem organizada e coesa:
a) Sabemos que o ministério gasta demais com tratamento que nós podíamos evitar as doenças.
b) Às vezes as ideias aparecem de repente, mas aquelas boas ideias são as planejadas antes de se concluir algum ou podem surgir horas exatas a utilizá-las.

5- Expressividade
Quem redige deve buscar uma elaboração própria e expressiva de linguagem, evitando os clichês, as frases feitas e os lugares comuns.
Exemplo de chavão ou clichê:
O homem de hoje não vive, ele vegeta na selva de pedra da cidade grande.
O homem da cidade grande não vive plenamente; apenas luta pela subsistência, como numa selva.

Exercício -5-
Reescreva as frases abaixo, utilizando uma linguagem sem clichês:
a) As crianças são a esperança, o futuro do Brasil.
b) As pessoas viraram máquinas frias e insensíveis, viraram peças de engrenagem, robôs que não sabem que só o amor constrói.
c) O dinheiro não traz felicidades, pois dessa vida não se leva nada.
d) Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho.


fonte: Língua Portuguesa - Novas Palavras, 3 ano EM. Emília Amaral, Mauro Ferreira, Ricardo Leite e Severino Antônio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O que você precisa corrigir no seu texto


Vejamos alguns pontos que você precisa se atentar na hora de revisar seu texto:

Quanto à estética, observe:

a) Se a letra está legível: não quer dizer “letra bonita”, mas sim a preocupação de gerar entendimento para quem ler o texto.

b) Se há paragrafação: disposição correta dos parágrafos. Estes devem estar bem estruturados e delimitados por pontuação.

c) Se as margens estão regulares: as palavras devem ir até o fim da linha, a não ser que seja um poema.

d) O travessão: se há o espaçamento devido antes da utilização deste.

e) Se há rasuras: o melhor é que elas não existam! Mas caso ocorram, prefira riscar com um só risco o termo errado e colocá-lo entre parênteses. Coloque a palavra correta acima, ou continue a escrever normalmente, caso o erro aconteça no momento da escrita e na folha definitiva.

Quanto à gramática, observe:

a) Ortografia: as palavras estão escritas da maneira correta?

b) Pontuação: há vírgulas em excesso ou falta delas? Há vírgula onde deveria existir ponto final?

c) Concordância verbal e nominal: observe se todos os verbos concordam com seus sujeitos e se os substantivos estão concordando com o artigo, numeral, pronome ou adjetivo que os acompanha.

d) Regência verbal: veja se a regência do verbo está coerente com seu complemento.

e) Colocação pronominal: os pronomes estão posicionados corretamente? Fique atento principalmente aos do caso oblíquo (me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos).

Quanto à estilística, observe:

a) Repetição de palavras, com atenção especial ao pronome “que” e também de ideias: empobrecem o texto.
b) Frases longas: deixam o texto confuso.
c) Se há elementos conectivos: são essenciais para a coesão (mas, porém, contudo, entretanto, etc.)

d) Emprego de palavras ou de argumentos em lugares errados.

Quanto à estrutura, observe:

a) Se há uma ideia central que norteia o texto ou um conflito básico a ser solucionado.
b) Se há uma sequência de fatos enquadrados em uma lógica-temporal.
c) Se há presença dos aspectos do tipo de texto escolhido: dissertação (exposição e defesa de argumentos); narração (conflito e exposição da personagem); descrição (características do local e fatos relatados), e assim por diante.

Por último, veja a conclusão: ela deve ter no máximo cinco linhas e conter de forma resumida o que foi falado com a apresentação de uma solução para o conflito ou de uma opinião sobre o que foi exposto.


Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

domingo, 23 de outubro de 2011

Tema da dissertação ENEM 2011

Viver em Rede no Século 21: os Limites entre o Público e o Privado”.

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2011, o Enem, é "Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado". Os textos de referência são os artigos "Liberdade sem fio", da revista "Galileu" e "A internet tem ouvidos e memória", do portal Terra. Há ainda uma tirinha do cartunista André Dahmer, da série "Quadrinhos dos anos 10".




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Modelos de dissertações


Texto 1

TEMA: “DENÚNCIAS, ESCÂNDALOS, CASOS ILÍCITOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE... ISSO É O QUE OCORRE NO BRASIL HOJE.”

Uma nova ordem

Nunca foi tão importante no País uma cruzada pela moralidade. As denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de forma veemente, a profunda crise moral por que passa o País.

O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis, acabam comprometendo seus programas de gestão.

Para complicar, ainda estamos no meio de uma recessão que tem jogado milhares de trabalhadores na rua, ampliando os bolsões de insatisfação e amargura.

Não é de estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra o que vêem e sentem, procurem manifestar sua posição com o voto nulo, a abstenção ou o voto em branco. Convenhamos, nenhuma democracia floresce dessa maneira.

A atitude de inércia e apatia dos homens que têm responsabilidade pública os condenará ao castigo da história. É possível fazer-se algo, de imediato, que possa acender uma pequena chama de esperança.

O Brasil dos grandes valores, das grandes idéias, da fé e da crença, da esperança e do futuro necessita, urgentemente da ação solidária, tanto das autoridades quanto do cidadão comum, para instaurar uma nova ordem na ética e na moral.
Carlos Apolinário, adaptado


Texto 2


A corrupção no Brasil

Durante todo o processo de formação cultural do povo brasileiro, o trabalho nunca foi considerado uma atividade digna, a riqueza, mesmo ilícita era a grande nobreza e a comprovação da superioridade.

No período colonial, o trabalho para o português recém-chegado toma-se um ato ignóbil, explorar o bugre e o negro é a maneira de se viver numa terra nova, onde a “esperteza” de sempre tirar lucros e ganhar, mesmo através da trapaça, é considerada uma virtude.
No império e na república oligárquica, a história se repete e sempre está a favor de uma aristocracia, que desrespeita a condição humana, com suas atitudes nepóticas e de extrema fraternalidade entre os iguais mineiros e paulistas.

Nos períodos seguintes, a rede de corruptos se mostra e toma contorno urbanos, onde a população adquire maior intelectualidade e passa a exigir um maior respeito e que pelo menos se disfarcem os roubos contra nossa população de miseráveis e condicionados.

Já cansada pelos quinhentos anos de “falcatruas” justificadas e pela explosão de novas “bombas”, a cada dia a população apercebe-se. em fim, do maquiavelismo político e rejeita as soluções prontas e maternais da pátria mãe gentil.

Esperamos que, nos próximos anos, a política brasileira tome-se mais séria, rejeite o dito maquiavélico e trate o trabalho como um meio de ascensão e de dignificação do homem e não como um ato oprobriante.

Tiago Barbosa

Abaixo alguns modelos de redação nota 10 no Enem.
Fonte: Revista do Enem (editora Digerati)

Texto 1
Ler para compreender

Vivemos na era em que para nos inserir no mundo profissional devemos portar de boa formação e informação. Nada melhor para obtê-las do que sendo leitor assíduo, quem pratica a leitura está fazendo o mesmo com a consciência, o raciocínio e a visão crítica.

A leitura tem a capacidade de influenciar nosso modo de agir, pensar e falar. Com a sua prática freqüente, tudo isso é expresso de forma clara e objetiva. Pessoas que não possuem esse hábito ficam presas a gestos e formas rudimentares de comunicação.

Isso tudo é comprovado por meio de pesquisar as quais revelam que, na maioria dos casos, pessoas com ativa participação no mundo das palavras possuem um bom acervo léxico e, por isso, entram mais fácil no mercado de trabalho ocupando cargos de diretoria.

Porém, conter um bom vocabulário não torna-se (sic) o único meio de “vencer na vida”. É preciso ler e compreender para poder opinar, criticar e modificar situações.

Diante de tudo isso, sabe-se que o mundo da leitura pode transformar, enriquecer culturalmente e socialmente o ser humano. Não podemos compreender e sermos compreendidos sem sabermos utilizar a comunicação de forma correta e, portanto, torna-se indispensável a intimidade com a leitura.

Texto 2


Quadro Negro

Se para Monteiro Lobato um país se faz de homens e livros, para os governantes diferente não poderia ser. O papel da leitura na formação de um indivíduo é de notória importância. Basta-nos observar a relevância da escrita até mesmo na marcação histórica do homem, que destaca, por tal motivo, a pré-história.

Em uma esfera mais prática, pode-se perceber que nenhum grande pensador fez-se uma exceção e não deixou seu legado através da escrita, dos seus livros, das anotações. Exemplos não são escassos: de Aristóteles a Nietzsche, de Newton a Ohm, sejam pergaminhos fossilizados ou produções da imprensa de Gutenberg, muito devemos a esses escritos. Desta forma, iniciarmos o nosso processo de transformação adquirindo tamanha produção intelectual que nos é disponibilizada.

A aquisição de idéias pelo ser humano apresenta um grande efeito colateral: a reflexão. A leitura é capaz de nos oferecer o poder de questionar, sendo a mesma freqüente em nossas vidas. Outrossim, é impossível que a nossa visão do mundo ao redor não se modifique com essa capacidade adquirida.

Embora a questão e a dúvida sejam de extrema importância a um ser pensante, precisam ter um curto prazo de validade. A necessidade de resposta nos é intrínseca e gera novas idéias, fechando, assim, um círculo vicioso, o qual nos integra e nunca terminamos de transformar e sermos transformados.

A leitura é a base para o desenvolvimento e a integração na sociedade e na vida, porquanto viver não é apenas respirar. Se Descartes estiver certo, é preciso pensar. Pensando, poderemos mudar o quadro negro do país e construir o Brasil de Monteiro Lobato: quadro negro apenas na sala de aula, repleto de idéias, pensamentos, autores, repleto de transformação e de vida.



Texto 3

Quando o sol da cultura está baixo, até os mais ínfimos seres emitem luz

Marcel Proust, grande escritor e exemplo máximo de uma vida dedicada unicamente à leitura e à literatura, disse em seus escritos “cada leitor, quando lê, é um leitor de si mesmo”. O que Proust evidencia nessa frase deixa em aberto uma série de interpretações que podem ser realizadas a partir do hábito entusiástico e não visto como uma obrigação, pela leitura.

Estar em contato com o universo das palavras e nele encontrar uma atividade prazerosa, ao mesmo tempo que nos leva a absorver todo o conhecimento exterior, também nos conduz a uma busca de tudo que representa algo de nós mesmos nesse conhecimento que chega até nós. Em cada nova leitura, ocorre algo semelhante a uma lapidação de nossos desejos e predileções.

Os livros constituem um tipo de transporte de conhecimento diferente da televisão por exemplo, onde as informações são transmitidas a todo o momento, e para tal, só precisa de nossa permissão para a passagem de suas imagens através de nosso córtex. O nível de saber que podemos extrair de um livro possui o mesmo limite de nossa vontade de fazê-lo. E, ao contrário das informações “prontas” da televisão, temos a total liberdade de interpretação, o que confere o aperfeiçoamento de nosso senso crítico e o melhoramento de como nos posicionamos diante do mundo.

O hábito da leitura não possui caráter elitista e nem está associado ao poder aquisitivo. Em qualquer cidade, por menor que seja, há uma biblioteca, basta que tenhamos interesse em desvendar todo o mistério contido nela. Ao ler, nos tornamos mais cultos, mais seguros de nossas convicções, nos expressamos e escrevemos melhor. Medidas públicas devem ser realizadas para garantir essa acessibilidade e assim, seus respectivos países possam brilhar, iluminados pelo sol da cultura.


Texto 4

Benefícios da leitura

Como a leitura pode transformação nossa realidade? A leitura é extremamente importante, não apenas por ser fundamental em nossa formação intelectual, mas também por permitir a todos um acesso a um mundo de informações, idéias e sonhos. Sim, pois ler é ampliar horizontes e deixar que a imaginação desenhe situações e lugares desconhecidos e isto é um direito de todos.

A leitura permite ao homem se comunicar, aprender e até mesmo desenvolver, trabalhar suas dificuldades. Em reportagem recente, uma grande revista de circulação nacional atribuiu à leitura, a importância de agente fundamental para a transformação social do nosso país. Através do conhecimento da língua, todos tem (sic) acesso à informação e são capazes de emitir uma opinião sobre os acontecimentos. Ter opinião é cidadania e essa parte pode ser a grande transformação social do Brasil.

Os benefícios da leitura são cientificamente comprovados. Pesquisas indicam que crianças que tem (sic) o hábito da leitura incentivado durante toda a vida escolar desenvolvem seu senso crítico e mantém seu rendimento escolar em um nível alto. O analfabetismo, um dos grandes obstáculos da educação no Brasil está sendo combatido com a educação de jovens e adultos, mas a tecnologia está afastando nossas crianças dos livros.

Permitir a uma criança sonhar com uma aventura pela selva ou imaginar uma incrível viagem espacial são algumas das mágicas da leitura. Ler amplia nosso conhecimento, desenvolve a nossa criatividade e nos desperta para um mundo de palavras e com elas construímos o que gostamos, o que queremos e o que sonhamos.

Portanto, garantir a todos o acesso à leitura deve ser uma política de Estado, mas cabe a nós dedicarmos um tempo do nosso dia a um bom livro, incentivar nossos amigos, filhos ou irmãos a se apegarem à leitura e acima de tudo utilizar nosso conhecimento para fazer de nossa cidade, estado ou país, um lugar melhor para se viver.

Segue banco de redações da uol Educação
http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/

Como construir um texto dissertativo


Como construir um texto dissertativo
sobre Redação por Eraldo Cunegundes


Procedimentos Básicos

01. Interpretação do tema

Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este implica zerar a prova de redação;

02. Levantamento de idéias

A melhor maneira de levantar idéias sobre o tema é a auto-indagação;


03. Construção do rascunho

Construa o rascunho sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o conteúdo;


04. Pequeno intervalo

Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que determinados erros passem despercebidos;


05. Revisão e acabamento

Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;


06. Versão definitiva

Agora passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!


07. Elaboração do título

O título deve ser urna frase curta condizente com a essência do tema.


Orientação para Elaborar uma Dissertação
  • Seu texto deve apresentar tese, desenvolvimento (exposição/argumentação) e conclusão.

  • Não se inclua na redação, não cite fatos de sua vida particular, nem utilize o ainda na 1ª pessoa do plural.

  • Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e argumentativo). As idéias-núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem fundamentadas.

  • Redija na 1ª pessoa do singular ou do plural, ou fundamentadas. Evite que seu texto expositivo ou argumentativo seja urna seqüência de afirmações vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação..

  • Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada contextualização. Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.

  • Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”,“pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e subjetivos.

  • Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações.

  • Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.

  • Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas são fundamentais e informativas.

  • Observe se não há repetição de idéias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), falta de concatenação de idéias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.

  • Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.

  • Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.

  • Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem corno os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.

Esquema Básico da Dissertação



A professora Branca Granatic (Técnicas Básicas de Redação) oferece-nos a seguinte sugestão de esquema para a produção de uma dissertação:

Esquema Básico da Dissertação

1º parágrafo: TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3
2° parágrafo :desenvolvimento do argumento 1
3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2
4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3
5° parágrafo: expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

Exemplo:

TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver gravesproblemas que preocupam a todos.

Por Quê?
arg. 1: Existem populações imersas em completa miséria.
arg. 2: A paz é interrompida freqüentemente por conflitos internacionais.
arg. 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.


Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa misériaa paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais e, além do mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis – estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre indivíduos – encontramoslegiões de famintos em pontos específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre as nações.

Além disso, nesta últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio.Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos causou.

Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico,provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável.

Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dissertação 2


O texto Aquilo por que vivi, de Bertrand Russel, revela uma estrutura que o vestibulando poderá usar em sua redação. Leia o texto:

                                           Aquilo por que vivi                                         
Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei.

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também sofro.

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.

(Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.)

O texto, cujo tema está explícito no título – os motivos fundamentais da vida do autor – apresenta cinco parágrafos.

No primeiro parágrafo, o autor revela as suas “três paixões”:

a) amor;

b) conhecimento;

c) piedade.

Em seguida, dedica três parágrafos para cada uma dessas paixões. O segundo parágrafo fala sobre a busca do amor; terceiro, sobre a procura do conhecimento; e o quarto, sobre a importância do sentimento piedade diante do sofrimento.

O quinto e último parágrafo realiza a conclusão do texto.

Eis o esquema:

1º§ - a, b, c;

2º§ - a;

3º§ - b;

4º§ - c;

5º§ - a, b, c.

(in Novas Palavras, de Emília Amaral e outros, editora FTD-1997)

Produção Textual: dissertação

Seguindo o esquema do texto lido, produza uma dissertação sobre o tema: Anonimato na internet.


Leia a Matéria da Revista Época:

Um jovem de 22 anos vira o defensor do anonimato na web – e atrai a atenção de investidores.


sábado, 23 de outubro de 2010

Coerência e Coesão

Coerência
A sua redação precisa fazer sentido
Alfredina Nery*


Para que seu texto seja claro, compreensível e possa transmitir a idéia que você queira passar, é importante que ele tenha duas características:  coesão e a coerência. Entenda o que são esses conceitos e saiba como utilizá-los em suas redações.
Deve-se ter em mente que escrever não é apenas colocar palavras no papel. É preciso trabalhar muito para ter um bom texto. Então aí vai uma dica: para começar, pense no fim! Isso mesmo! Qual a finalidade do seu texto? O que você quer com ele? Responda então, para si mesmo, às seguintes questões:

1-       Qual a finalidade do texto? Para que ele serve?
2-       Qual o assunto? Sobre o que vou escrever?
3-       Quem vai ler o meu texto?
4-       Qual tipo de texto vou fazer?

            Vamos a um exemplo concreto. Imagine que você vai escrever uma carta (ou um e-mail) para um jornal comentando uma notícia sobre alimentos transgênicos. Você deve, então, levar em consideração:

·         a finalidade de sua carta (participar do debate, dando sua opinião);
·         o que quer comentar (alimentação e transgênicos);
·         para quem está escrevendo (os outros leitores do jornal);
·         o tipo de texto: a carta ou e-mail.

Depois de ter pensado nisso tudo, você dá sua opinião, usando elementos da carta e escolhendo argumentos que sustentem suas idéias. Assim, para escrever sua carta, você - como autor - precisa elaborar um texto "coerente", ou seja, que faça sentido. O texto deve ser coerente não só com suas idéias, mas também coerente em relação ao seu objetivo, ao leitor que pretende atingir, ao gênero textual que está desenvolvendo.


Coesão e coerência

Imagine a seguinte situação: na grande decisão de um campeonato, o técnico de um dos times declarou aos jornalistas:

"Vamos respeitar o adversário, mas, agora, nosso time está coeso".
Agora, numa outra situação, a namorada diz para o namorado:
"Não adianta. Não vou mais perdoar você. Quero que tenha atitudes coerentes."
Na primeira situação, o técnico enfatizou o fato de seu time estar coeso, como uma qualidade importante para ganharem o jogo. "Coeso" significa "unido", "intimamente ligado", "harmônico".

Na segunda situação, a namorada cobra atitudes coerentes do namorado. "Coerência" significa "harmonia", "conexão", "lógica".

Sem coesão e coerência, sua redação não existe! Quando muito, há um amontoado desconexo de palavras colocadas lado a lado. Vamos a mais uma reflexão? Desta vez, leia o trecho de uma crônica de Millôr Fernandes.

“As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica” - Richard Gehman

“Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte."
“Junto com as outras?"
“Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.";
“Sim senhora. Olha, o homem está aí."
“Aquele de quando choveu?"
“Não o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo."
“Que é que você disse a ele?"
“Eu disse para ele continuar."
“Ele já começou?"
“Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse."
(...)
(Millôr Fernandes. "Trinta anos de mim mesmo". São Paulo: Abril Cultural, 1973)

            Veja como o humorista faz sua sátira, a partir de duas idéias básicas: "as mulheres falam demais" e "somente as mulheres se entendem".
            Comece a analisar pelo título a ironia do autor: "A vaguidão específica" (como algo pode ser vago e específico, ao mesmo tempo? Só as mulheres, diria Millôr e os que pensam como ele...). Para confirmar suas idéias, ele busca uma "autoridade" para fazer a citação: Richard Gehman (quem seria? Um estrangeiro, pelo nome. Novamente, o humorista brinca com uma idéia pronta: sendo "alguém de fora" deve ter muito a nos ensinar...).
            Quem participa da história narrada? Duas mulheres. São elas patroa e empregada? Mãe e filha? Não sabemos. Qual é o assunto de que falam as duas mulheres? Nós, leitores, não sabemos, mas as duas personagens sabem, não é mesmo?
            A que se referem as palavras e trechos: "isso", "outras", "alguém", "qualquer coisa", "lugar do outro dia", "o homem", "Aquele", "o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo", "continuar", "começou"? Os leitores não sabem, mas as mulheres sim e como as duas sabem do que estão falando, a "costura" do texto vai sendo feito de forma coerente e coesa.
            Você viu que Millôr Fernandes, intencionalmente, quis brincar com um preconceito social a respeito da mulher e seu jeito de falar, considerado excessivo. Assim, para entendermos o texto, como coerente e coeso, é preciso levar em conta o fato do autor ser um humorista e seu texto trazer essa marca da "surpresa" ou do "olhar sobre outro ângulo" - como numa piada.







Texto para as questões 1 e 2:


Circuito fechado

            Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata,
paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves,  lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos.
            Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis,  telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de  notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída,  vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo.
            Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi.
            Mesa, toalha,  cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo,  xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno,  externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel,  relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
Ricardo Ramos

1. O fato de o autor utilizar apenas substantivos na construção do texto Circuito fechado remete a um determinado efeito semântico. De acordo com a leitura  do texto, esse efeito de sentido é:
(A) Estático.
(B) Dinâmico.
(C) Referencial.
(D) Qualitativo.
(E) Quantitativo.

2. Embora, no texto Circuito fechado, o autor não utilize verbos e marcas lingüísticas de coesão, como  preposições e conjunções, é perfeitamente possível compreender a sua mensagem. Assinale a alternativa que apresenta a intenção do autor ao utilizar apenas substantivos na construção do texto:
(A) O autor desvia o foco de atenção do indivíduo para os objetos, o que se justifica pela utilização apenas de substantivos.
(B) A intenção do autor, no texto, é chamar a atenção para o estilo de vida de um indivíduo solitário e metódico, que vive uma rotina angustiante.
(C) Por meio de substantivos, o autor enumera o conjunto de ações realizadas por um indivíduo no seu dia-a-dia.
(D) Apesar de não utilizar palavras que indicam processo, o autor sugere o estilo de vida dinâmico de um indivíduo metódico.
(E) O texto mostra a realidade da vida moderna, em que o indivíduo tem que realizar várias ações ao mesmo tempo.







Coesão
As partes de sua redação formam um todo?
Alfredina Nery*


Ao lado da coerência, a coesão é outro requisito para que sua redação seja clara, eficiente. A seguir, mostramos alguns elementos que permitem que sua redação seja coesa. Para entender melhor a coesão textual, analise como algumas palavras/frases estão ligadas entre si dentro de uma seqüência, numa conhecida fábula de Esopo.


O cão e a lebre

Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição, ele parou a caçada. Um pastor de cabras vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
“Aquele pequeno animal é melhor corredor que você”.
O cão de caça respondeu:
“Você não vê a diferença entre nós: eu estava correndo apenas por um jantar, mas ela por sua vida.”

Moral:O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é que vai determinar sua qualidade final.
Fábula
Elementos de coesão
Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição,ele parou a caçada. Um pastor de cabras, vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:

“Aquele pequeno animal é melhor corredor que você. “

O cão de caça respondeu:
“Você não vê a diferença entre nós: eu estava correndo apenas por um jantar, mas ele por sua vida.”

1- No início da fábula, as personagens são indicadas por artigos indefinidos que marcam uma informação nova (ou não dita anteriormente): “Um cão de caça” + “uma lebre” + “Um pastor de cabras”, o que também sinaliza uma situação genérica, como é típico nas fábulas.

2- “Sua toca”: o pronome possessivo refere-se à casa da lebre.

3 - No lugar de repetir a palavra ”cão”, foi usado o pronome pessoal por três vezes:
“ele” = cão
“vendo-o” + “ridicularizou-o” = vendo o cão + ridicularizou o cão.

4- Para retomar o substantivo “lebre” foi usada uma
expressão semelhante: “Aquele pequeno animal”.

5- No meio do texto, há o uso do artigo definido “o cão de caça e não mais “um cão” como no início. Aqui a referência ao animal está sendo retomada: já se sabe qual cão era.

6- A conjunção ”mas” indica um contraste: o cão corria por um jantar enquanto a lebre corria para salvar sua vida

Você percebeu que os sentidos do texto são "fios entrelaçados" e não palavras soltas ou frases desconectas? São os elementos coesivos que organizam o texto de forma a constituir também sua coerência.
A coesão textual pode ser feita através de termos que:

·         retomam palavras, expressões ou frases já ditas anteriormente ("anáfora") ou antecipam o que vai ser dito ("catáfora"). Na fábula, são exemplos de anáforas os itens 2, 3, 4 e 5 da coluna à direita da tabela;

·         encadeiam partes ou segmentos do texto: são palavras ou expressões que criam as relações entre os elementos do texto. Exemplo na fábula: item 6, a conjunção "mas" que, além de ligar as duas partes do texto (uma que se refere à atitude da lebre e a outra, ao cão), estabelece uma determinada relação entre elas, isto é, um contraste.

A coesão por retomada ou antecipação pode ser feita por : pronomes, verbos, numerais, advérbios, substantivos, adjetivos.
A coesão por encadeamento pode ser feita por conexão ou por justaposição.

1) A coesão por conexão traz elementos que:

a) fazem uma gradação na direção de uma conclusão: "até", "mesmo", "inclusive" etc;
b) argumentam em direção a conclusões opostas: "caso contrário", "ou", "ou então",
"quer... quer"; etc;
c) ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão: "e", "também", "ainda", "nem", "não só... mas também" etc;
d) fazem comparação de superioridade, de inferioridade ou igualdade: "mais... do que", "menos... do que", "tanto... quanto", etc
e) justificam ou explicam o que foi dito: "porque", "já que", "que", "pois" etc;
f) introduzem uma conclusão: portanto, logo, por conseguinte, pois, etc;
g) contrapõem argumentos: "mas", "porém", "todavia", "contudo", "entretanto", "no entanto", "embora", "ainda que" etc;
h) indicam uma generalização do que já foi dito: "de fato", "aliás", "realmente", "também" etc;
i) introduzem argumento decisivo: "aliás", "além disso", "ademais", "além de tudo" etc;
j) trazem uma correção ou reforçam o conteúdo do já dito: "ou melhor", "ao contrário", "de fato", "isto é", "quer dizer", "ou seja", etc;
l) trazem uma confirmação ou explicitação: "assim", "dessa maneira", "desse modo", etc;
m) especificam ou exemplificam o que foi dito: "por exemplo", como, etc

2) Os elementos coesivos por justaposição estabelecem a seqüência do texto, ou seja:
a) introduzem o tema ou indicam mudança de assunto: "a propósito", "por falar nisso", "mas voltando ao assunto" etc;
b) marcam a seqüência temporal: "cinco anos depois", "um pouco mais tarde", etc;
c) indicam a ordenação espacial: "à direita", "na frente", "atrás", etc;
d) indicam a ordem dos assuntos do texto: "primeiramente", "a seguir", "finalmente", etc;

Para analisar o papel da coesão na construção dos sentidos de um texto, faça a correlação entre os provérbios e os elementos coesivos respectivos, preenchendo as lacunas, de tal forma que haja coerência entre as duas partes que constituem esse tipo de texto :

Provérbios
Elementos de coesão
por conexão
Devagar ....... sempre se chega na frente.
mas
Trate os outros ..... quer ser tratado.
mais... do que
A aparência pode ser mudada, ..... a natureza não.
e
Ao carneiro ......peça lã.
como
....vale paciência pequenina ... força de leão.
somente

Você percebeu que, nos casos acima, a precisão no uso dos elementos de coesão faz toda a diferença na significação de cada provérbio, não é mesmo?
Para concluir, podemos afirmar que o texto é tanto produto como processo. Ao escrever, o autor planeja seu texto, a partir de sua finalidade, deixando pistas de sua intencionalidade. O leitor, por sua vez, vai perseguindo essas pistas, para poder interpretar o texto. Nesse sentido, a coesão textual - ou pistas lingüísticas - tem uma importante função na produção de todo e qualquer texto.




Exercícios


1. Ordene os períodos abaixo, observando a perfeita coesão e coerência, formando um texto.
( ) Segundo o escrivão de polícia da cidade, José Melônio Heston, o agressor comprou um revólver calibre 38, dias antes do crime.
( ) “O menino que ele matou, por exemplo, já tinha jogado lama nele”, contou.
( ) Por volta da 19h30min do dia 4 de fevereiro, ele foi até a casa de um colega de 14 anos, que o provocava na escola, e o matou.
( ) Em 2004, um adolescente de 17 anos, de Remanso, na Bahia, atirou contra um colega depois de ser ridicularizado na escola.
( ) “Não sei por que, mas ele (o atirador) sofria muita humilhação na escola.”
(http://g1.globo.com/noticias Acesso em 27/4/2007. Adaptado)
A seqüência correta é
a) 1, 4, 2, 3, 5.
b) 2, 5, 3, 1, 4.
c) 4, 2, 1, 5, 3.
d) 3, 1, 4, 5, 2.



Nas questões 02 e 03, numere os períodos de modo a constituírem um texto coeso e coerente e, depois, indique a seqüência numérica correta.

02-
     ( ) Por isso era desprezado por amplos setores, visto como resquício da era do capitalismo desalmado.
             ( ) Durante décadas, Friedman - que hoje tem 85 anos e há muito aposentou-se da Universidade de Chicago - foi visto como uma espécie de pária brilhante.
     ( ) Mas isso mudou; o impacto de Friedman foi tão grande que ele já se aproxima do status de John Maynard Keynes (1883-1945) como o economista mais importante do século.
    ( ) Foi apenas nos últimos 10 a 15 anos que Milton Friedman começou a ser visto como realmente é: o mais influente economista vivo desde a Segunda Guerra Mundial.
   ( ) Ele exaltava a ‘liberdade’, louvava os ‘livres mercados’ e criticava o 'excesso de intervenção governamental.' (Baseado em Robert J. Samuelson, Exame, 1/7/1998)

        a) 4, 2, 5, 1, 3
b) 1, 2, 5, 3, 4
c) 3, 1, 5, 2, 4
d) 5, 2, 4, 1, 3
e) 2, 5, 4, 3, 1

     03-  
(   ) Na verdade, significa aquilo que um liberal americano descreveria (sem estar totalmente correto, porém) como conservadorismo.
(   ) Nos Estados Unidos, liberalismo significa a atuação de um governo ativista e intervencionista, que expande seu envolvimento e as responsabilidades que assume, estendendo-os à economia e à tomada centralizada de decisões.
(  ) A guerra global entre estado e mercado contrapõe ‘liberalismo’ a ‘liberalismo’.
(   ) No resto do mundo, liberalismo significa quase o oposto.
(  ) Esta última definição contém o sentido tradicional dado ao liberalismo.
(   ) Esse tipo de liberalismo defende a redução do papel do Estado, a maximização da liberdade individual, da liberdade econômica e do papel do mercado. (Exame, 1/7/1998)

a) 1, 5, 3, 4, 2, 6
b) 3, 1, 4, 5, 6, 2
c) 2, 4, 5, 3, 6, 1
d) 4 , 2, 1, 3, 6, 5
e) 1, 3, 2, 6, 5, 4

4 -  Os fragmentos abaixo constituem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os de forma coesa e coerente e assinale a resposta correta.
A. Na sede da entidade, a Receita recolheu para análise dezenas de notas fiscais, comprovantes de pagamentos e livros contábeis. Com base nos documentos, o órgão federal espera esclarecer a questão. O movimento financeiro durante os dez dias da festa é avaliado pelo Sebrae da cidade em R$ 278 milhões.
B. Segundo sua análise, o evento reúne 1 milhão de pessoas, com uma média de R$ 278 gastos por freqüentador. Desses R$ 278 milhões, a média de arrecadação é de 3%. Segundo informações obtidas pela Receita, metade desse percentual estaria sendo sonegado - ou seja, R$ 4,17 milhões. Além do clube, devem ser fiscalizados hotéis, restaurantes e a empresa que vende os anúncios da festa.
C. A suspeita de sonegação surgiu porque o recolhimento dos tributos por parte de comerciantes e empresários da região, no período da festa, é o mesmo dos outros meses do ano. "Todo mundo diz que o faturamento dobra ou triplica no período da festa, mas o total arrecadado em impostos fica igual", diz o delegado da Receita. O primeiro alvo dos auditores na cidade foi o clube Os Independentes, instituição responsável pela organização da Festa do Peão de Boiadeiro.
D. A Receita Federal de Franca está apurando a sonegação de impostos praticada pelas empresas e associações que atuam na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.
(Rogério Pagnan, Folha de S. Paulo, 15/08/2000, p. F2, com adaptações)

a) C, A, B, D
b) D, C, A, B
c) A, B, C, D
d) D, B, C, A
e) B, C, D, A


5 - Os trechos abaixo compõem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os para que componham um texto coeso e coerente e indique a opção correta. 
( ) O primeiro desses presidentes foi Getúlio Vargas, que soube promover, com êxito, o modelo de substituição de importações e abriu o caminho da industrialização brasileira, colocando, em definitivo, um ponto final na vocação exclusivamente agrária herdada dos idos da colônia.
( ) O ciclo econômico subseqüente que nos surpreendeu, sem dúvida, foi a modernização conservadora levada à prática pelos militares, de forte coloração nacionalista e alicerçado nas grandes empresas estatais.
(  ) Hoje, depois de todo esse percurso, o Brasil é uma economia que mantém a enorme vitalidade do passado, porém, há mais de duas décadas, procura, sem encontrar, o fio para sair do labirinto da estagnação e retomar novamente o caminho do desenvolvimento e da correção dos desequilíbrios sociais, que se agravam a cada dia.
( ) Com JK, o país afirmou a sua confiança na capacidade de realizar e pôde negociar em igualdade com os grandes investidores internacionais, mostrando, na prática, que oferecia rentabilidade e segurança ao capital.
( ) Em mais de um século, dois presidentes e um ciclo recente da economia atraíram as atenções pelo êxito nos programas de desenvolvimento.
( ) Juscelino Kubitschek veio logo depois com seu programa de 50 anos em 5, tornando a indústria automobilística uma realidade, construindo moderna infra-estrutura e promovendo a arrancada de setores estratégicos, como a siderurgia, o petróleo e a energia elétrica.
(Emerson Kapaz, “Dedos cruzados” in: Revista Política Democrática nº 6, p. 39)

        a) 1º - 2º - 4º - 5º - 6º - 3º
b) 2º - 3º - 5º - 1º - 4º - 6º
c) 2º - 5º - 6º - 4º - 1º - 3º
d) 5º - 2º - 4º - 6º - 3º - 1º
e) 3º - 5º - 2º - 1º - 4º - 6º