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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Escrever, por quê?


Escrever, por quê?

Por que escrevo: como encontrar algo de original para dizer na décima, na quinquagésima ou centésima vez, sendo atenciosa como qualquer pessoa merece, sobretudo um estudante ou profissional das perguntas?
A resposta direta seria: escrevo porque sou ambivalente, insegura e desejosa de cumplicidade.
Mas, com uma pontinha de malícia, às vezes dou uma resposta torta: a questão não é por quê, mas “sobre o que escrevo”.
De que falo, então, ao fazer minha literatura?
Um dos rótulos usados em relação a isso é “ela escreve sobre mulheres”. Constatação falhada, pois mulheres não são meus personagens exclusivos, nem mesmo os mais elaborados: são homens e crianças, casas com sótão e porões, dramas ou banalidade. Falo também do estranho atrás de portas, mortos que vagam e vivos que amam ou esperam.
Escrevo sobre o que me assombra, às vezes desde a infância.
Escrever para mim é sobretudo indagar: continuo a menina perguntadeira que perturbava os almoços familiares querendo saber tudo, qualquer coisa, o tempo todo. Portanto, escrevo para obter respostas que – eu sei – não existem... por isso continuo escrevendo.
E escrevo sobre possibilidades de ser mais feliz – isso, eu sei também, depende um pouco de cada um de nós, de nossa honradez interior, nossa fé no ser humano, nosso compromisso com a dignidade. De sorte, e de decisões que muitas vezes só anos depois poderemos avaliar.
Falo do que somos: nobres e vulgares, sonhadores e consumidores, soprados de esperança e corroídos de terror, generosos e tantas vezes mesquinhos. Invento para minhas criaturas muito mais do que expresso em linhas ou silêncios – sempre o mais importante de um texto meu. Mesmo que nem mencione, sei se aquela mulher usa algodão ou sedas, se a escada range quando ela caminha – ainda que nenhum desses detalhes apareça no romance. Conheço a solidão daquele homem, se cultiva medos secretos, se pensa na morte, se desejaria ser mais amado.
E quando começo a “ser” essa pessoa, quando o clima da obra me envolve e arrasta, chegou o momento em que o livro quer ser escrito. Então estarei aberta a ele, escutando o que se passa no meu interior. Boa parte do que eu escrevo brota desse caldeirão de bruxas que é inconsciente e lucidez, memória e invenção, susto e amadurecimento.
São meus e não são, esses vultos com seus destinos e desatinos – que armo e desarmo. De repente aí estão meus personagens: um olho, o contorno de um perfil, um gesto, um riso ou uma tragédia, um silêncio e uma solidão. Persigo a sua busca de significados.
Escrevo porque tenho prazer em elaborar com palavras tantos destinos cujo fio nasce em mim, produzindo novelos para que eu trabalhe minhas tapeçarias.
Escrevo para seduzir leitores: venham ser cúmplices da minha perplexidade fundamental, essa que me move.
Não se pode esquecer também que escrevo propondo uma releitura dos valores familiares e sociais de meu tempo: cada um de meus romances pode e deve ser lido como uma denúncia da hipocrisia, da superficialidade e da mentira nos tipos de relacionamento mais estranhos ou mais comuns. Não é apenas o imponderável e misterioso que me interessa, mas o grande desencontro humano.
O escritor fala pelos outros. Trabalha para que os outros sonhem ou enxerguem melhor coisas que nem ele próprio adivinha – estão além de sua visão, mas dentro do seu pressentimento.
Talvez seja essa a função de toda a arte (se é que ela tem alguma): a libertação e o crescimento de quem a exerce e de quem a vai contemplar.
Nessa medida a pessoa do escritor é desimportante, valem os questionamentos que faz, e a forma com que elabora em textos a nossa essencial contradição – matéria viva de sua contemplação e arte.
(LUFT, Lya. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004. p.179-181.)
                                                        


1) Segundo Lya Luft, ela escreve porque é ambivalente, insegura e desejosa de cumplicidade. Assinale o item que não confirma essa afirmativa.
A) “(...) como encontrar algo de original para dizer na décima, na quinquagésima ou centésima vez, sendo atenciosa como qualquer pessoa merece, sobretudo um estudante ou profissional das perguntas?” (1º §)
B) “Falo do que somos: nobres e vulgares, sonhadores e consumidores, soprados de esperança e corroídos de terror, generosos e tantas vezes mesquinhos.” (9º §)
C) “Escrevo para seduzir leitores: venham ser cúmplices da minha perplexidade fundamental, essa que me move.” (13º §)
D) “Não é apenas o imponderável e misterioso que me interessa, mas o grande desencontro humano.” (14º §)

2) Há uma passagem em que a cronista parece não falar do leitor, mas com o leitor. Assinale a alternativa que comprova a afirmativa.
A) “Escrevo para seduzir leitores: venham ser cúmplices da minha perplexidade fundamental, essa que me move.” (13º §)
B) “Por que escrevo: como encontrar algo de original (...) sendo atenciosa como qualquer pessoa merece, sobretudo um estudante ou profissional das perguntas?” (1º §)
C) “Talvez seja essa a função de toda a arte (se é que ela tem alguma): a libertação e o crescimento de quem a exerce e de quem a vai contemplar.” (16º §)
D) “O escritor fala pelos outros. Trabalha para que os outros sonhem ou enxerguem melhor coisas que nem ele próprio adivinha – estão além de sua visão, mas dentro do seu pressentimento.” (15º §)

3) Levando em conta a discussão sobre a concepção de leitura e os três últimos parágrafos da crônica, assinale a opção que corresponde à visão de leitura da cronista.
A) O sujeito é o senhor absoluto de suas ações e de seu dizer e o texto é um produto, cabendo ao leitor um papel passivo, de captador ou receptor das intenções do autor.
B) O sujeito é assujeitado pelo sistema, e o texto é um produto da codificação de um emissor a ser decodificado pelo leitor, sendo necessário a este, para tanto, o conhecimento do código utilizado.
C) Os sujeitos ativos se constroem e são construídos no texto, que é o lugar da interação e da constituição dos interlocutores. O sentido do texto é construído na interação texto-sujeitos.
D) O sujeito é caracterizado por uma não consciência, já que o princípio explicativo de qualquer fenômeno e de todo e qualquer comportamento individual repousa sobre a consideração do sistema.

4) Há dois momentos que se destacam e se emaranham no seu decorrer: o motivo da escritura e o assunto da escritura. Assinale a afirmação que não define o tema.
A) “Talvez seja essa a função de toda a arte (se é que ela tem alguma): a libertação e o crescimento de quem a exerce e de quem a vai contemplar.” (16º §)
B) “Escrevo sobre o que me assombra, às vezes desde a infância.” (6º §)
C) “Invento para minhas criaturas muito mais do que expresso em linhas ou silêncios – sempre o mais importante de um texto meu.” (9º §)
D) “Portanto, escrevo para obter respostas que – eu sei – não existem... por isso continuo escrevendo.” (7º §)

5) A cronista define a matéria com a qual trabalha como “a nossa essencial contradição” e ela mesma, durante toda a crônica, demonstra a existência desse desencontro dentro de si. Assinale o item que não confirma essa constatação.
A) “Boa parte do que eu escrevo brota desse caldeirão de bruxas que é inconsciente e lucidez, memória e invenção, susto e amadurecimento.” (10º §)
B) “(...) escrevo para obter respostas que – eu sei – não existem... por isso continuo escrevendo.” (7º §)
C) “Escrevo porque tenho prazer em elaborar com palavras tantos destinos cujo fio nasce em mim, produzindo novelos para que eu trabalhe minhas tapeçarias.” (12º §)
D) “... venham ser cúmplices da minha perplexidade fundamental, essa que me move.” (13º §)

Palavras,palavras, palavras

Palavras, palavras, palavras

Criadas pelos humanos, as palavras são suscetíveis ao tempo, como os humanos. Algumas mudam de significado, outras vão desbotando aos poucos, e há as que morrem na inanição do silêncio. Ninguém mais chama o libertino de bilontra, a amante de traviata ou o inocente de cândido. Depois de soar na boca do povo e iluminar a escrita, bilontra, traviata e cândido foram sepultadas nos dicionários junto às que lá descansavam em paz. Em seus lugares brotam novas, frescas e saltitantes, com significado igual – ou quase. A língua é a mais genuína criação coletiva, feita da contribuição anônima. O agito das palavras traduz as mudanças do mundo – na ciência e tecnologia, na economia e política, nas leis e religiões, no comércio e publicidade, no esporte e comunicação, nos costumes e valores.
A palavra escalpo anda sumida porque não se arranca mais o couro cabeludo do inimigo. Não se mata na cruz nem se guerreia em buraco – crucificar e trincheira são metáforas. O Hino Nacional – impávido colosso, lábaro estrelado, clava forte – é um jazigo verbal. Sem o chapéu, descobrir-se é saber de si. Formidável: quem ainda diz? Semideus e semidivino agonizam por falta de fé. O reitor é magnífico?
Reveladoras são as palavras que, condenadas, estão na fase de desaparecimento. Perderam primazia e brilho, mas ainda são usadas. Escapam empoeiradas da boca da professora, embaçadas no verso do poeta, combalidas na memória do idoso, mortas no discurso do político. Observá-las em plena agonia é ouvir a sociedade.
Faz tempo não ouço a palavra cavalheirismo. Parece que a igualdade de direitos das mulheres botou fora o bebê, a água do banho e a bacia. Lá se foram também delicadeza e cordialidade: louvadas no passado, antes de sumir viraram sinônimo de perda de tempo. Pessoa cordial passou a ser chata, cheia de frescura, pé-no-saco, puxa-saco. Cortesia não morreu, mas mudou: agora quer dizer brinde, boca-livre, promoção! Crimes têm cúmplices, mas é rara a cumplicidade entre casais.
Leio jornais, revistas, livros, peças e roteiros contemporâneos de lápis na mão. Há anos não grifo a palavra honra. Nem os crimes passionais se explicam mais como defesa da honra. Quando encontro as palavras perdão e respeito, referem-se a autoridades. Já dever e sacrifício referem-se a voto e reajustes salariais. Encontro mais a desonesto do que a honesto. Não leio ou ouço, em lugar algum, a palavra compaixão: essa foi para o céu! Ética e educação, leio e ouço bastante. Mas surraram os sentidos até esvaziá-los, ficaram ocas, só sons e letras. Os novos sentidos são da conveniência e interesse pessoal de quem escreve ou fala. Os significados que lhes deram Aristóteles e Rousseau dormem na paz do dicionário.
Se as palavras morrem ou mudam de sentido, os gestos, intenções e atitudes que designam também morrem ou mudam de sentido. Cabe indagar: que sociedade é essa que sepulta o cavalheirismo, a delicadeza, a cordialidade e a compaixão? Que gente é essa que enterra a honra? Que país é esse que esvazia valores como educação e ética e faz da cortesia um gesto interesseiro? Que confere respeito e perdão aos poderosos e impõe aos destituídos o dever e o sacrifício?
Criadas pelos homens, palavras são do humano. Intriga sejam justamente as que dizem o mais humano do humano a perderem o sentido ou morrerem. Ou será que estamos perdendo o prazer da convivência? Ah, palavras, palavras, palavras...




ARAUJO, Alcione. Palavras, palavras, palavras. Estado de Minas, Belo Horizonte, 05 jul. 2010.Caderno Cultura, p. 8

terça-feira, 2 de abril de 2013

Leitura


Questionário sobre leitura


Questionário


  1. 1.       Você come enquanto lê? Se sim, comidinha preferida de leitura?
  2. 2.      O que você gosta mais de beber enquanto lê?
  3. 3.      Você costuma marcar o livro enquanto o lê, ou a ideia de escrever em livros te aterroriza?
  4. 4.      Como você marcar onde parou enquanto está lendo? Marcadores? Orelhas nas páginas? Apoiando o livro aberto?
  5. 5.      Ficção, não-ficção, ou ambos?
  6. 6.      Você tende a ler até o fim do capítulo, ou consegue parar de ler em qualquer lugar?
  7. 7.      Você é do tipo de pessoa que arremessa o livro longe ou no chão se o autor te irrita?
  8. 8.      Se você encontra uma palavra que não conhece, você para e vai procurar seus significados na hora?
  9. 9.      O que você está lendo?
  10. 10.  Qual foi o último livro que você comprou?
  11. 11.  Você é o tipo de pessoa que lê apenas um livro por vez, ou consegue ler mais de um?
  12. 12.  Você tem um lugar/momento preferido para ler?
  13. 13.  Você prefere séries ou livros únicos?
  14. 14.  Tem algum livro ou autor que você se vê recomendando sempre?
  15. 15.  Como você organiza seus livros? (por gênero, título, sobrenome de autor etc.).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Do mundo da leitura para a leitura do mundo

(PUCRS – 2009)

 TEXTO 1

A literatura constitui modalidade privilegiada de leitura, em que a liberdade e o prazer são virtualmente ilimitados. Mas, se a leitura literária é uma modalidade de leitura, cumpre não esquecer que há outras, que desfrutam, inclusive, de maior trânsito social. A competência nessas outras modalidades de leitura é anterior e condicionante da participação no que se poderia chamar de capital cultural de uma sociedade e, consequentemente, responsável pelo grau de cidadania de que desfruta o indivíduo. (...)

Assim, no contexto de um projeto de educação democrática, vem à frente a habilidade de leitura, essencial para quem quer ou precisa ler jornais, assinar contratos de trabalho, procurar emprego através de anúncios, solicitar documentos na polícia, enfim, para todos aqueles que participam, mesmo que à revelia, dos circuitos da sociedade moderna, que fez da escrita seu código oficial.

Mas a leitura literária continua sendo fundamental.

É à literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os diferentes imaginários, sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias. Por isto, a literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer plenamente sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário competente. Mesmo que nunca vá escrever um livro, ele precisará ler muitos.

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1999.21)



Segundo a autora, a leitura do texto literário

A) é mais importante do que a leitura dos demais tipos e gêneros de textos que circulam no cotidiano.

B) constitui uma forma de estimular o leitor a eventualmente tornar-se um escritor.

C) é um privilégio, já que depende de meios virtuais, inacessíveis a boa parte da população.

D) demanda um esforço de apropriação por parte do leitor, para além da competência básica.

E) é condicionada pelo grau de cidadania de cada Indivíduo



(PUCRS – 2009)



TEXTO 2

Quando eu estava no Curso Colegial, meu professor de inglês fez uma pequena marca de giz no quadro-negro, e perguntou à turma o que era aquilo. Passados alguns segundos, alguém disse: ‘É uma marca de giz no quadro-negro!’

O resto da classe suspirou de alívio, porque o óbvio havia sido dito, e ninguém tinha mais nada a dizer. ‘Vocês me surpreendem’, falou o professor. ‘Fiz o mesmo exercício ontem, com uma turma do Jardim de Infância, e eles pensaram em umas cinquenta coisas diferentes: o olho de uma coruja, um inseto esmagado, e assim por diante. Eles estavam com a imaginação a todo vapor’.

Nos dez anos que vão do Jardim ao Colegial, havíamos aprendido a encontrar a resposta certa, mas havíamos perdido a capacidade de procurar outras respostas certas, e também perdido muito em capacidade imaginativa.



Um toc na cuca. São Paulo: Ed. São Paulo. (fragmento adaptado)
In: http://internativa.com.br/artigo_criatividade. (acessado em 24/10/2008)



A partir da leitura do texto 2, é correto concluir que:

( ) O questionamento feito a propósito da marca de giz gerou ansiedade porque os alunos temiam o professor.

( ) Na situação referida, o objetivo do professor era mais formativo do que informativo.

( ) Os professores do Jardim de Infância mencionado eram mais qualificados do que os de Inglês.

( ) A escola em que estudou o autor do texto estimulava a criatividade desde o Jardim de Infância.

( ) É possível haver mais de uma solução para o mesmo problema.



O preenchimento correto dos parênteses, de cima para baixo, é

A) F – F – V – V – F

B) V – F – V – V – V

C) F – V – F – F – V

D) V – F – F – F – F

E) V – V – V – F – V

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O cérebro se modifica com a leitura




Ensinar a ler requer um processo de transformação física no cérebro similar à cirurgia, para estabelecer novas conexões neuronais entre a visão, o raciocínio e a fala. A capacidade de ler, algumas vezes se nos apresenta como uma tarefa muito complicada e tortuosa. A aprendizagem da leitura é um processo lento, pois requer a integração de habilidades e destrezas linguísticas.
Estudos revelam que 50% de alunos com problemas de aprendizagem, que atendem ao sistema especial de educação pública, apresenta deficiência na compreensão da leitura, alguns por falhas no processo de aprendizagem e não por motivos fisiológicos insolváveis.
Comprovou-se que os problemas de leitura afetam não somente a educação, mas também a saúde, pela qual auspiciam vários programas de investigação para encontrar as causas do fracasso na aprendizagem da leitura.
Investigadores dedicados ao estudo dos processos cognitivos dizem que “aprender modifica a estrutura física do cérebro”. Nesse sentido, os professores devem entender que “ler requer uma alteração na organização interna do tecido celular cerebral”, e se deve ser paciente com os que iniciam balbuciando.
A maioria das crianças aprende a ler independentemente do método de ensino. Entretanto, 20 a 30% destas, em idade escolar, experimentam dificuldades de aprendizagem, revelam as estatísticas.
As crianças se frustram com rapidez e se envergonham de suas dificuldades quando são conscientes de que seus companheiros de classe leem com fluidez. Problemas de conduta, abandono escolar e desinteresse para seguir estudos universitários, são algumas das consequências diretas das dificuldades de leitura, segundo indicam os experts.
Entre os indicadores mais comuns de potenciais problemas de leitura se encontra a transposição de letras e números. Os educadores hoje em dia preferem utilizar a aquisição do idioma para prevenir melhor os tropeços na leitura. Por sua parte, a falecida Jeann Chall, legendária especialista de leitura da Universidade de Harvard, sempre recalcou que “Contrariamente a linguagem falada, que não necessita de instrução, nossos cérebros requerem um método para aprender a ler.”
Uma das coisas mais importantes é entender a relação entre o abecedário e os sons das palavras. Outros experts recomendam que o ensino destas destrezas deva ser sistemática e cuidadosamente planificado para evitar confundir o estudante. Tomando em conta que cada criança aprende em um ritmo diferente, recomenda-se a utilização de vários métodos de instrução. Entre estes o ensino através da fonética, baseado nos sons de letras e fonemas; ou, do conceito de “idioma completo”, que consiste na aplicação e memorização de palavras.
Se a criança tem um problema de leitura, necessitará de mais tempo e prática. Mas, sobretudo, é vital manter uma disciplina de leitura diária. Os especialistas recomendam que os professores provenham livros de acordo com a habilidade de leitura do estudante para evitar frustrações.
Aos pais de família advertem-lhes que “desliguem os televisores”, pois quando as crianças não leem no ritmo que lhe é devido, estanca-se sua capacidade linguística e sua capacidade de pensar com coerência. Saber ler não é somente uma matéria, é uma habilidade do cérebro humano e como todas as habilidades dependem mais da maneira como a percebemos do que da capacidade.
Criar o hábito da leitura ajuda a melhorar os problemas de aprendizagem.
Artigo original em espanhol

Exercícios de leitura - cócegas no cérebro enferrujado

Consegues encontrar 2 letras B abaixo? Não desistas....

RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

Uma vez que encontrares os B,

encontre o 1:

IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIII1IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Uma vez o 1 encontrado,

encontre o 6:

9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999699999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999


Uma vez o 6 encontrado,

encontre o N (É díficil!):

MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMNMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM

Uma vez o N encontrado...

encontre o Q:

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOQOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

segunda-feira, 18 de abril de 2011

10 Estratégias de manipulação da Elite



10 Estratégias de Manipulação das Elites
Chomsky


O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:

1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Crias problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos

Como ler as mídias?

Sírio Possenti

Pode-se ler jornais com diversos objetivos. Fundamentalmente, dois. Um é informar-se sobre fatos: quem ganhou o jogo, quem venceu as eleições, de quanto foi a inflação oficial, qual foi o último decreto que o governo assinou, quem foi beneficiado com um habeas corpus (para este último caso, de fato, nem é preciso ler nada…). O segundo objetivo é descobrir de que lado está o jornal (ou revista), isto é, que posições ideológicas defende em relação a certos temas.
Os editoriais são contra ou a favor. As reportagens fazem de conta que informam. Até informam, mas o fazem opinando, ou porque recortam os fatos ou porque só oferecem alguns deles, escondendo os outros. Meu melhor exemplo ainda é uma antiga matéria que informava que Erundina, então prefeita de S. Paulo, naquele dia, tinha recebido no gabinete a visita de seu oculista (o efeito era: eis o que ela fez ontem). Outro exemplo é a informação de quantos dias um governante passou fora do país durante seu mandato, sem informar o que foi fazer (o efeito é: passeia mais do que trabalha).
A maioria dos jornalistas pensa que só informa. E que nunca mentem. Fotografam e gravam, para mostrar que se atêm aos fatos. Mas uma foto congela um momento. Um adversário sempre sai mal na fotografia. A apelação é comum (quem não se lembra da foto de Hillary Clinton que mostrava sua calcinha?). O mesmo fazem as charges, por exemplo. Textos curtos são ainda mais radicais do que os longos em relação a essa característica de só mostrarem um lado.
O recorte é inevitável, diga-se. A única maneira de apresentar ao leitor um fato seria… apresentar o próprio fato. Funes, a personagem de Borges que tem memória excepcional, demora um dia para lembrar-se do que aconteceu durante um dia. Um jogo de futebol teria que ser sempre reprisado na íntegra, e, mesmo assim, teríamos o problema do ângulo captado pela câmara (diversas câmaras cobrindo diversos ângulos acabariam com o problema da parcialidade?).
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Volto ao PNDH – que comentei também na semana passada. Os jornais, aos poucos, estão falando mais dele. O leitor que não tiver lido o Projeto continua recebendo o documento por partes. O que não é ruim, embora demore muito, dê muito trabalho e se fique sempre com a sensação de receber recortes. Mas a situação está bem melhor dos que nos primeiros dias, quando o projeto parecia apenas coisa de esquerdistas vingativos…
O leitor fica sabendo, por exemplo, que determinadas questões estão contempladas no Projeto porque são decisões tomadas em fóruns mundiais, das quais o Brasil é signatário. Pode até ser denunciado em algum tribunal internacional se não as cumprir (por exemplo, sobre trabalho infantil ou escravo). Assim, o projeto nacional não poderia deixar de incluir certos temas. Por exemplo, ele deve considerar não anistiáveis os crimes contra a humanidade. É que mesmo as guerras são regidas por leis. Ninguém pode, por exemplo, torturar um inimigo preso (mesmo em “guerras” internas…), segundo as convenções que a maioria dos países assinou.
A imprensa quase nunca disse que, para cada ação proposta pelo Projeto, deverá haver um projeto de lei (busquei “projeto de lei” no texto e descobri que a expressão ocorre mais de vinte vezes). Isso significa, no mínimo: a) que nenhum jornalista ou leitor poderia dizer que o governo quer fazer tudo sozinho; b) que, em tese, este aspecto do projeto poderia ser destacado; se não foi, é porque não interessa…
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Acusa-se o PNDH de querer controlar os meios de comunicação. Eu sou contra. Se for verdade (quero ver o projeto de lei). Mas esses meios já não estão controlados? Se você mora em Porto Alegre, o que você pode ler além de Zero Hora? E você já leu Zero Hora? E se está em Salvador? O que você tem para ler? A Tarde. Mas não é um jornal controlado pela Família? Não respondam, por favor, que se pode ler a FolhaO Estadão de qualquer lugar pela Internet! Mas quem tem acesso à Internet?
Aceito e posso assinar todas as manifestações contrárias ao controle da mídia. Só não me digam que posso mudar de jornal ou de canal. Essa sugestão, que supostamente é garantia e prova da liberdade individual, é a nova versão da famosa frase de Maria Antonieta: eles não gostam dos nossos jornais? Que leiam o Le Monde!
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Chile, Argentina, Uruguai: todos levantaram fatos, que o Brasil teima em esconder, sobre suas ditaduras militares. Sem crise, sem ameaças de generais. Até em Honduras a Justiça vai processar seis generais que deportaram Zelaya. Desse jeito, só posso torcer para o Brasil num campo: o de futebol.
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Militares de vários escalões falaram o que quiserem dos jovens guerrilheiros da época do que eles chamam de revolução. Acusaram-nos de matar alguns oficiais e soldados e de sonhar com regimes autoritários. Disseram, para justificar-se, que se tratava de uma guerra. Cada cidadão toma o partido que quiser nesse debate. Justiça seja feita aos militares: eles nunca acusaram os guerrilheiros de terem prendido soldados ou outros cidadãos e os submetido a tortura. Nem eles foram capazes disso.
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Acabo de ler em El Pais: “La vieja (ya vieja, y sólo tiene veinte años) frase de Eugenio Scalfari sobre la esencia del oficio de periodista (“Periodista es gente que le dice a la gente lo que le pasa a la gente“) alcanza su punto culminante, su justificación mayor, en el trabajo que hacen los periodistas ahora en Haití”. Bem, então não há muitos…
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Há coisas que não compreendo: o carro flex não é um sucesso de vendas exatamente porque permite escolher o combustível mais barato? Então, por que a grita quando o álcool custa mais que a gasolina? Eu entenderia a reclamação de usuários de carros a álcool, mas não de carros flex.


Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.
Fale com Sírio Possenti: siriopossenti@terra.com.br


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Incentivo a leitura (clic)



Por que meu aluno não lê?

            “Os meus alunos não gostam de ler” é, sem dúvida, a queixa mais comumente ouvida entre os professores.[ ... ]
            Para formar leitores, devemos ter paixão pela leitura. Concordamos com o autor francês Bellenger [ ... ], que a leitura se baseia no desejo e no prazer: “Em que se baseia a leitura? No desejo. Esta resposta é uma opção. É tanto o resultado de uma observação como de uma intuição vivida. Ler é identificar-se com o apaixonado ou com o místico. É ser um pouco clandestino, é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário. Ler é muitas vezes trancar-se (no sentido próprio e figurado). É manter uma ligação através do tato, do olhar, até mesmo do ouvido (as palavras ressoam). As pessoas lêem com seus corpos. Ler é também sair transformado de uma experiência de vida, um apelo, uma ocasião de amar sem a certeza de que se vai amar. Pouco a pouco o desejo desaparece sob o prazer.” [ ... ]
            Ninguém gosta de fazer aquilo que é difícil demais, nem aquilo do qual não consegue extrair o sentido. Essa é uma boa caracterização da tarefa de ler em sala de aula: para uma grande maioria dos alunos ela é difícil demais, justamente porque ela não faz sentido. [ ... ]
            As práticas desmotivadoras, perversas até, pelas consequências nefastas que trazem, provêm, basicamente, de concepções erradas sobre a natureza do texto e da leitura, e, portanto, da linguagem. Elas são práticas sustentadas por um entendimento limitado e incoerente do que seja ensinar português, entendimento este tradicionalmente legitimado tanto dentro como fora da escola. É dessa legitimidade que se deriva um dos aspectos mais nefastos das práticas limitadoras que discutiremos: elas são perpetuadas não só dentro da escola, mas também funcionam como o mecanismo mais poderoso para a exclusão fora da escola. Os diversos concursos para os cargos públicos [ ... ] exigem do candidato o conhecimento fragmentado e mecânico sobre a gramática da língua decorrente de uma abordagem de ensino que é ativamente contrária a uma abordagem global, significativa, baseada no uso da língua.
            É por isso que uma das primeiras barreiras que o professor tem que negociar para poder ensinar a ler é a resistência do próprio aluno, ou dos pais do aluno quando este é uma criança mais nova. Já ouvimos um aluno dizer “Eu não quero trabalhar textos, eu quero aprender português”, expressando o mesmo pré-conceito de um adulto analfabeto em curso supletivo de alfabetização que nos disse: Eu não quero trabalhar textos, eu quero aprender a ler.” Essas convicções estão baseadas numa concepção de saber lingüístico desvinculada do uso da linguagem: no primeiro caso, o aluno está reivindicando a regra gramatical tradicional,
que não faz sentido, que deve ser memorizada só para a prova, mas que será a que determinará sua inclusão ou exclusão no banco, na repartição pública, na faculdade; no segundo caso, o aluno reivindica a decifração e cópia de letras e sílabas, como um fim em si, sem perceber que essas atividades são apenas prelúdio para a atividade de leitura, porque nunca ninguém desvendou para ele o verdadeiro significado da atividade.
            E justamente essa resistência a que é usada pelo burocrata (que pode ser o diretor da escola, outros professores), para efetivamente impedir uma prática alternativa. E encontramos, na maioria dos casos, e muito rapidamente o professor novo (recém-chegado ou recém-formado e com uma proposta renovadora e inovadora) que desiste, em parte pelo fato de ele se encontrar dentro de uma estrutura de poder na escola, no degrau mais baixo, e também, pelo fato de sua proposta estar baseada apenas numa convicção de necessidade de mudança, mas sem a formação necessária para essa mudança. Por isso, acreditamos na formação teórica do professor na área de leitura.

KLEIMAN, A. Oficina de Leitura: Teoria e Prática.













 
Assista ao vídeo: Ler deveria ser proibido